Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 25/03/2020
Dependentes químicos: os “inimigos” da sociedade.
A dependência química é vista por muitos, inclusive em âmbito governamental, como um problema de segurança pública em detrimento do tráfico de drogas. Malgrado, a sociedade peca ao não analisar o vício como uma questão de saúde pública e por isso as vítimas desse não recebem o tratamento e auxílio necessário. Essa problemática é sustentada, principalmente, pela insuficiência de políticas públicas por meio de uma frente equivocada e o preconceito contra os usuários reforçado pelo governo.
De 2000 a 2015, houve um aumento de 60% no número de mortes causadas diretamente pelo uso de drogas, em 2014, já eram 29 milhões de dependentes químicos no mundo segundo a ONU, tornando a dependência química questão de nível internacional. Embora o Brasil tenha se empenhado em combatê-la, com sua proposta de investir 410 milhões de reais no combate às drogas em 2010, em 2011 só foram usados dois terços da quantia e, no mesmo período de tempo, apenas 5% do plano traçado para o aumento do número de leitos nos hospitais da rede SUS para tratar de usuários de drogas foi cumprido. Tal fato afeta diretamente a recuperação dos usuários, que precisam não só de reabilitação vocacional, mas também de auxílios médicos em problemas legais ocasionados pelo vício e aconselhamento individual, com terapia e medicamentos, áreas não tão visadas pelo governo.
Em uma subcomissão sobre dependentes químicos da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), houve a opinião unânime entre senadores e especialistas de que as políticas públicas, programas e órgãos sobre o assunto estão “desarticulados, pulverizados e não formam redes eficientes e integradas, essenciais tanto à prevenção e repressão quanto ao tratamento e reinserção social”. Além disso, a advogada Roberta Duboc, especialista em Direito Penal e Sociologia Criminal, afirma que “a Constituição e as leis penais colocam os usuários de drogas como inimigos da sociedade” e que tal estratégia busca dar uma resposta à população com medo da violência do tráfico de drogas, por meio de leis mais severas embasadas na punição.
Visto que há investimento governamental contra a problemática, é viável que haja uma mudança de postura em relação às medidas do governo para com os usuários a partir do redirecionamento da verba para o auxílio aos dependentes, a fim de aprimorar e manter centros de tratamento e assegurar a saúde dos usuários. Além disso, um maior investimento em sensibilizar, por intermédio de ONGs, palestras e meios de comunicação, a importância do incentivo ao tratamento é essencial para a recuperação dos dependentes.