Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 02/04/2020
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dependência química é uma psicopatologia responsável pela morte de inúmeras pessoas todos os dias, ou seja, trata-se de uma questão de saúde pública. Como desafios para o tratamento dessa doença, é possível citar o tabu existente no diálogo quanto aos entorpecentes e a falência das políticas antidrogas.
Necessária se faz a existência de naturalidade ao se falar de vícios, para que assim haja adesão dos doentes aos recursos terapêuticos. Drogas lícitas - como cigarro e álcool - são aceitas pelas mais diversas camadas sociais, enquanto substâncias ilegais - a exemplo de cocaína e maconha - despertam uma rejeição quase unânime. A partir do que foi destacado pelo médico Drauzio Varella em sua série de vídeos, chamada “Drauzio Dichava”, é plausível desconstruir uma imagem preconceituosa em relação à maconha.
Com base no documentário “Notícias de uma guerra particular” elaborado na década de 90, pode-se afirmar que as propostas meramente repressivas e violentas no combate às drogas não funcionam. Além do fato de que a concentração dessas políticas nas favelas é ineficaz e reforça as construções sociais de repulsa aos moradores das referidas comunidades, tratados como indivíduos propensos à criminalidade.
Como tentativa para minimizar tais problemas, propõe-se a divulgação de campanhas antidrogas nos mais variados meios de comunicação, visto que eles alcançam a grande massa populacional. O conteúdo das propagandas deve se embasar nos sinais da dependência química (perda de controle, aumento da tolerância às doses da substância, crises de abstinência e desenvolvimento de problemas de saúde) como também na quebra de tabus sobre o tema. O incentivo às reuniões feitas pelo AA (Alcoólicos Anônimos) e pelo NA (Narcóticos Anônimos) pode ajudar na ressocialização das pessoas que apresentam vícios e servir de base para uma recuperação psicológica dos envolvidos.