Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 30/03/2020
Segundo Aristóteles, o virtuoso não possui qualquer conflito moral e vive uma vida feliz baseada na virtude. Em contrapartida, se apresentar uma conduta deficiente, ela se tornará um vício. Nesse contexto, situam-se os dependentes químicos, cujos vícios afetam a saúde, tanto física quanto mental. No Brasil, o tratamento de dependentes químicos enfrenta diversos desafios, como a dificuldade de reconhecimento e insuficiência nas políticas públicas.
Em primeiro plano, vale salientar que a maior parte da população não aceita o fato de o vício ser uma doença e, assiduamente, a compulsão é vista com preconceito. Logo, a falta de reconhecimento é um desafio para o tratamento de dependentes químicos, pois muitos viciados não se consideram doentes, dificultando, desta forma, seu tratamento. Nesse âmbito, é importante citar o documentário Stay Strong, que retrata a vida de Demi Lovato, uma cantora viciada em drogas que negligencia tal fato, o que a levou ao agravamento de seu quadro clínico, chegando a ter uma overdose. Observa-se, portanto, que tal situação está presente na vida de milhares de brasileiros e urge que medidas sejam tomadas para combatê-la.
Ademais, a insuficiência das políticas públicas existentes é um grande desafio para o tratamento de dependentes químicos canarinhos. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil oferece apenas 0,34% dos leitos que seriam necessários para o processo de cura de vícios. Desse modo, cria-se um quadro de insuficiência governamental. Esse cenário, sobretudo, advém do foco na punição como forma de resolver tal questão, baseado na política antidrogas, cuja ideia principal é o apresamento nas mazelas públicas como solução. No entanto, isso resulta na insuficiência de investimentos para combater a problemática, tanto nos aspectos qualitativos - pesquisas científicas - quanto nos quantitativos - centros de reabilitação, profissionais. Além disso, o sistema de prisão utilizado pelo governo não inclui políticas de inserção social, como programas de educação e emprego. Portanto, é clara a negligência governamental face à situação dos dependentes químicos brasileiros.
Nessa perspectiva, medidas são necessárias para solucionar a problemática. Sendo assim, cabe ao governo canarinho elaborar, juntamente com profissionais especialistas no assunto, programas assistenciais aos dependentes químicos e garantir sua propagação, por meio de campanhas publicitárias em canais televisivos e onlines. Além disso, o governo deve promover a construção de centros de reabilitação, por meio de investimentos maciços e satisfatórios que garantam infraestrutura necessária para o trabalho de psicólogos, psiquiatras e outros médicos, se necessário.