Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 27/03/2020

Em 2001, o Relatório Mundial de Saúde da OMS apontou a dependência química como uma doença que está ligada a diferentes transtornos psiquiátricos, apresentando desvios comportamentais que normalmente não teriam. A maioria dos dependentes entram nessa vida procurando uma forma de aliviar estresse e tensão. No Brasil, são insuficientes as políticas públicas eficazes para cuidar destes usuários e há uma precariedade em tratamentos efetivos oferecidos pelo governo, existindo ainda outros desafios como o reconhecimento próprio de admitir a doença e a vergonha sentida por eles.

Os investimentos governamentais estão muito focados na punição como solução através de uma política de “guerra às drogas” sendo considerado um fracasso monumental segundo o médico Drauzio Varella. Há uma insuficiência de verbas destinadas aos tratamentos tornando-os muitas vezes generalizados demais já que cada pessoa necessita de uma assistência específica. O governo não investe o bastante na capacitação de funcionários contratados para tratar usuários. Logo, sem um procedimento efetivo dificulta-se a adequada reinserção do dependente na sociedade e a execução da sua cidadania criando uma associação do vício à má índole.

Levando em consideração a política de internação voluntária, muitos dos dependentes ao não serem forçados, acabam por não procurar ajuda, já que desprezam o próprio vício ou têm vergonha de admitir este, podendo acarretar uma maior dependência futuramente. Comumente, não há um incentivo coletivo para haver uma procura no tratamento por meio do apoio familiar por exemplo, impedindo uma boa efetividade do tratamento. Pode-se citar o alcoolismo como dependência sendo tema no filme: Farrapo Humano, que descreve a jornada de um escritor frustrado e alcoólatra. Para o alcoólatra, admitir que precisa de ajuda é difícil já que por se tratar de drogas lícitas é algo “aceito” pela sociedade, assim exagerar um pouco é normal e existe uma crença de que ele pode parar quando quiser, o mesmo ocorreu com o protagonista do filme citado acima, expondo uma mentalidade equivocada e errônea.

É necessário medidas que mitiguem os desafios de tratamento destes dependentes no Brasil, com uma certa urgência. O governo deve estabelecer programas assistenciais, destinar mais verbas para a área de saúde dos usuários com a finalidade de construir e estabelecer a manutenção  de centros de tratamento por todo o país. Outra forma de tentativa de erradicação destes desafios seria a divulgação de serviços de reabilitação pelos órgãos governamentais dando uma forma de suporte emocional aos dependentes, visando sua completa recuperação e garantindo seu bem estar social.