Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 03/04/2020

De acordo com Francis Bacon, o comportamento humano é contagioso, fato este que é altamente perceptível quando se constata o crescente número de dependentes químicos no Brasil, que necessitam cada vez mais serem reintegrados à sociedade. Entretanto, os meios pelos quais são reintegrados no país são altamente questionáveis devido à insuficiência e aos equívocos cometidos pelo setor de saúde pública brasileiro.

O fato é que o aumento do número de dependentes químicos no Brasil tem como um de seus pilares o mau cenário político e especialmente econômico do país. Em meio a momentos de crise e de sofrimento conjuntural, muitos indivíduos buscam nas drogas a solução para as angústias que sentem e acabam por ser altamente marginalizados pela sociedade; como bem disse Jean-Jacques Rousseau, o homem, que era bom, torna-se corrompido pelo meio social.

Hodiernamente, a política governamental brasileira é feita por meio de campanhas de “guerra às drogas” e com baixo investimento de recursos financeiros no setor de saúde pública para os dependentes químicos, apresentando-os como aqueles indivíduos que fazem o mal para a sociedade incondicionalmente e, consequentemente, dando a entender que a solução para este problema é combatê-los. Na verdade, os dependentes químicos são pessoas que urgem de ajuda alheia para conseguirem enfrentar as suas crises de abstinência de psicotrópicos e que necessitam ser ajudados, não combatidos.

À luz do que precede, fica evidente que, a fim de reintegrar os dependentes químicos à sociedade, é imprescindível que o governo brasileiro invista mais recursos financeiros no sistema de saúde pública de recuperação e de auxílio a esses dependentes. Ademais, deve, juntamente com instituições religiosas e ONGs, promover campanhas de conscientização acerca dos malefícios trazidos pelo consumo de drogas ao indivíduo e à coletividade que o cerca.