Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 03/04/2020

A fugacidade dos eventos e as constantes mudanças do cotidiano e da esfera socioeconômica do mundo moderno trazem consigo uma série de problemáticas relacionadas aos indivíduos que compõem a sociedade, principalmente em áreas urbanas. A certa instabilidade da psiquê humana altamente influenciada pela instabilidade do meio que a cerca leva à aparição de condições como a dependência química, que teve um aumento significativo no Brasil ao longo dos anos, mesmo com o surgimento de programas e auxílios sociais visando o tratamento de dependentes químicos.

O uso de substâncias químicas, sendo elas geralmente entorpecentes, pode estar ligado à uma série de fatores, em sua maioria psicológicos, onde o usuário busca um certo escapismo da realidade para lidar com problemas, principalmente os familiares, sociais e financeiros. Junto do uso de tais substâncias, um problema frequente é a recusa do usuário em reconhecer que se tornou dependente da mesma; um exemplo claro deste tipo de situação está presente na letra da música “Rehab”, da cantora inglesa Amy Winehouse, onde a mesma se recusa a ir para a clínica de reabilitação.

No Brasil, um dos principais desafios para o tratamento destes indivíduos advinha desta recusa, sendo assim, de acordo com a urgência deste tipo de tratamento, em junho de 2019 foi aprovada uma lei que autoriza a internação compulsória de dependentes químicos. Outro grande estigma é o fato de o debate em relação às drogas ainda ser um tabu no país, dessa forma, o discurso perpetuado na sociedade quanto ao tema é excessivamente repressivo, o que acaba por segregar ainda mais os dependentes químicos, que, ao invés de serem abraçados pela sociedade, são cada vez mais julgados devido à sua condição.

Por conseguinte, a maneira mais eficiente de superar estigmas que assolam o tratamento de dependentes químicos no Brasil deve advir não somente do Estado, mas sim da sociedade de modo geral, sendo ela a naturalização da discussão sobre o tema, buscando desconstruir os preconceitos perpetuados por grande parte da sociedade através de palestras promovidas em escolas e instituições públicas em geral, bem como a disseminação de um discurso mais acolhedor ao lidar diretamente com um dependente químico, fazendo com que o mesmo receba de maneira bem mais receptiva a sua oportunidade de reabilitação.