Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 03/04/2020

O Brasil contemporâneo enfrenta dezenas de problemas relacionados à sua população. Dentre eles, um dos “bichos de sete cabeças” é a questão do uso de drogas, ou melhor, do tratamento aos usuários de tais substâncias. Há uma série de barreiras que dificultam a mitigação dessa problemática, como o preconceito por parte da sociedade e a falta de políticas públicas efetivas quanto a tal situação, que somente se agrava com o passar do tempo.

Em primeiro lugar, a discriminação social é, sem dúvidas, um enorme problema. A forte crença de que “bandido bom é bandido morto” apenas aumenta o massacre realizado nas ruas e reduz exponencialmente a quantidade de jovens salvos da dependência química, já que por conta de terem medo de um prejulgamento, os mesmos são menos propensos a admitir o problema a alguém ou mesmo procurar por assistência junto a outras pessoas.

Em segundo lugar, há a absurda falta de empenho do Estado para intensificar o tratamento dos consumidores de entorpecentes. Em 2018, por exemplo, o governo federal investiu cerca de 87,3 milhões de reais com o objetivo de apoiar as comunidades terapêuticas(dados do jornal Diário de Pernambuco), enquanto, em 2019, apenas o Rio de Janeiro já teve um gasto total 11,5 bilhões de reais com a área de segurança pública(dados do Portal da Transparência), devido à política de “guerra ao tráfico” desenvolvida em tal estado.

Desse modo, é possível perceber a gravidade desse impasse. Para solucionar essa terrível adversidade, é preciso, em primeiro de tudo, que o Estado intensifique seus esforços, aumentando seus investimentos na questão das drogas, não apenas aprimorando o tratamento dos adictos, mas também realizando palestras para a população em geral, informando-a sobre a importância de se realizar a terapia nos toxicomaníacos e, dessa forma, sintetizando uma sociedade melhor e mais consciente.