Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 04/04/2020
O Brasil, assim como muitos outros países atualmente, têm enfrentado problemas devido ao crescente número de dependentes químicos em suas cidades. Essa questão, no entanto, não é novo, remontando à Guerra do Ópio. Muitos obstáculos se botam entre o governo e a resolução desse quadro. Entre eles podemos citar a ideia fortemente presente em nossa cultura de que não há diversão sem o uso de drogas (lícitas ou não) e as novas correntes que defendem a legalização de produtos até então proibidos como a maconha, lançando dúvidas sobre a gravidade do assunto.
É muito comum que vejamos em grandes festividades brasileiras, como o Carnaval, o uso indiscriminado de bebidas alcoólicas, cujo efeito tende a acabar em desastre. Além dos estragos imediatos, a associação entre bebida e lazer convida menores de idade ao alcoolismo, sendo ela uma das principais portas de entrada para jovens que, devido à imaturidade, acabam dependentes. As debilitações causadas pelo álcool chegam a afetar sua vida escolar, gerando um ciclo vicioso e até mesmo a morte. Além disso, eventos com forte presença de drogas contribuem para recaídas daqueles já em reabilitação. A importância que essa cultura tem em nossas vidas pode ser notada na iniciativa de Jorge Jarber, phd em dependência química de Harvard, criador do projeto “Alegria sem ressaca”, um bloco de Carnaval sem álcool.
Os volumosos gastos do governo na luta contra as drogas levaram ao surgimento de grupos defensores da legalização de substâncias como a maconha. Essa medida, no entanto, se prova falha, uma vez que, diferente do álcool, essa droga vicia muito mais rapidamente, estando associada ao desencadeamento de doenças mentais graves, como a esquizofrenia. A sua adoção pode levar à banalização da droga, criando mais um obstáculo para aqueles que buscam forças para deixar o vício, além de arriscar ainda mais os jovens, grupo no qual a droga é atualmente mais popular. É provado pela sociologia que pessoas costumam se alimentar mais quando perto de outras pessoas comendo. A mesma lógica pode ser aplicada para as drogas. A simples discussão desse tópico já projeta sombras em mentes desinformadas sobre quão ruim as drogas são, podendo levar à famosa “primeira vez”.
Diante dessa situação é importante a participação do governo por meio de diferentes medidas. Pelo executivo devem-se aprovar projetos que ajudem na criação de mais centros de reabilitação amigáveis, pois esses são mais atrativos para aqueles que buscam ajuda, além possibilitar a reinserção dos pacientes no mercado de trabalho. A conscientização e policiamento também são muito importantes, evitando que jovens adentrem o mundo das drogas e buscando tornar festividades mais limpas. Por meio da mudança de ambiente e conscientização reduzimos os obstáculos do tratamento de pacientes.