Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 03/04/2020

Em julho de 2018, durante a Copa do Mundo da Rússia, o ex-futebolista Walter Casagrande realizou um depoimento emocionante sobre as dificuldades de um dependente químico. Analogamente, esta é uma realidade presente na sociedade brasileira como um todo, tendo em vista a crescente marginalização dos dependentes químicos. Isso somado a falta de políticas públicas relacionadas ao tratamento dos mesmos, configura uma das maiores problemáticas do Brasil contemporâneo.

É indubitável que uma das maiores adversidades relacionadas ao tratamento de dependentes químicos diz respeito a constante subjugação moral, em que esses são vistos como inferiores e aquém da sociedade, por conseguinte encontram dificuldades em encontrar o suporte necessário. Outrossim, os usuários são, muitas vezes, realocados para áreas impróprias – como as chamadas “Cracolândias” – que por sua vez contribuem para o prolongamento dos vícios, como ilustrado no pensamento do filósofo francês Émile Durkheim, em que afirma que o coletivo e o meio em que o indivíduo está inserido influencia suas ações.

Ademais, o descaso do Poder público em relação ao tratamento de dependentes químicos – como evidenciado pela oferta de apenas 0,34% dos leitos necessários para o tratamento eficaz, segundo dados do Ministério da Saúde – somado ao estado de sucateamento do sistema de saúde público e o fato de as camadas mais pobres serem as mais atingidas, resultam em uma inviabilidade em conseguir tratamento tendo em vista os elevados custos. Portanto, o acesso ao tratamento adequado torna-se segregado e disponível apenas nas camadas mais privilegiadas através de instituições privadas.

Destarte, em consonância com a célebre frase do sociólogo polonês Zygmunt Bauman: “Não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas.”, faz-se necessário portanto que o Governo representado pelo Ministério da Saúde promova, por meio de investimentos, a criação de centros especializados e gratuitos de atendimento ao dependente químicos, assim como, campanhas de prevenção ao uso de drogas, a fim de que possa se obter uma melhora na qualidade de vida do ex-usuário e sua reinserção na sociedade.