Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 03/04/2020

Na série ‘‘Euforia’’, é retratada a história de Rue, uma adolescente que tem problemas psicológicos e tenta esquecê-los fazendo o uso de drogas ilícitas, já que não tem autocontrole para se tratar e muito menos apoio de amigos e familiares. Paralelamente, nota-se que um dos desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil é a falta de autopercepção de que o usuário está doente e a falta de incentivo de pessoas próximas. Além disso, as drogas são comumente romantizadas por jovens e discriminadas por adultos, sendo respectivamente associadas à inclusão e punição e não ao tratamento. Assim, torna-se necessária a adoção de medidas socio-educacionais e governamentais para combater essa problemática.

Como a dependência química se trata exatamente do vício na droga, é muito difícil o indivíduo querer parar de usar a substância. O dependente faz o uso para sentir prazer, tornando isso parte de si e afetando ciclos ao seu redor, como social e familiar. Devido ao forte laço psicoemocional com o entorpecente, mesmo sabendo que isso lhe faz mal, o usuário não consegue deixar o vício sozinho, sendo necessário o apoio e incentivo de amigos ou familiares para que procure ajuda em, essencialmente, clínicas de reabilitação, baseando-se na primeira lei de Newton que diz “um corpo em repouso tende a permanecer em repouso a não ser que uma força atue sobre ele’’.

Outro fator que dificulta o tratamento de dependentes químicos é a ‘’normalização’’ do seu uso por jovens e a banalização do auxílio por adultos. Muitos indivíduos, ainda novos, procuram se entorpecer para serem incluídos socialmente e incentivados a usar a droga para se divertir e ‘’esquecer’’ da realidade. Esses também possuem facilidade em obter a substância como é visto na série citada, ‘‘Euforia’’, a personagem Rue adquire a droga facilmente com amigos, e principalmente em festas. Devido a essa facilidade e incentivo, muitos jovens não procuram a ajuda que precisam. Já os adultos, apresentam resistência à respeito do tratamento, associando, assim como diz o antropólogo Gilberto Velho, droga à arma. Muitos desses acham que a solução para o dependente químico é a punição e não a reabilitação, esquecendo que a doença é que leva o paciente a ter um desvio de comportamento.

Outrossim, é necessário que o Ministério da Saúde através de campanhas e recomendações por meio de plataformas midiáticas, incentive o apoio familiar na luta contra a dependência química e quebre o tabu de que todo usuário é um criminoso, apresentando clínicas de reabilitação e sua importância. As escolas devem promover palestras e projetos que incluam sociabilização dos jovens e atividades que desenvolvam habilidades desses indivíduos, evitando que recorram até as drogas para se divertirem, além de ter um vínculo familiar com os alunos para tratar do assunto e a importância do seu tratamento.