Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 03/04/2020
O crescente número de usuários de drogas no Brasil levanta a necessidade do tratamento dos dependentes químicos no país. Por sofrerem um preconceito coletivo enraizado, os viciados não recebem ajuda suficiente das políticas públicas para seu tratamento e são vistos como doentes, o que dificulta sua reinserção social apropriada. As pessoas envolvidas ou não no tráfico são afetadas pela violência urbana e pelo abuso policial nas investigações narcóticas, além de perderem autonomia individual e liberdade.
A ideia mais que difundida da “guerra às drogas” está focada na punição, faz com que o governo desperdice bilhões no combate,e essa preferência dos investimentos governamentais acarreta insuficiência de verbas ao tratamento, diminuindo a quantidade de profissionais e de centros nas instituições de assistência a alcoólatras e usuários de drogas, aumentando, assim, os obstáculos para minimizar o problema. Além de servir como pretexto para que o Estado viole as liberdades civis nas investigações, sem ressaltar o envolvimento entre narcotraficantes e políticos.
Diante de uma sociedade que marginaliza as classes mais pobres e pressiona os jovens, as drogas soam como um refúgio para esses grupos. A falta de conhecimento que leva ao preconceito contra os dependentes químicos, faz com que a sociedade opte por isolá-los e discriminá-los, resultando na falta de consciência individual e incentivo coletivo para a busca de assistência, impondo limites à eficácia do tratamento, o qual quando é procurado apresenta precariedade nos serviços de ajuda, devido aos poucos investimentos nestes. Essa problemática ainda transformou a América Latina numa bomba-relógio por causa da intervenção militar norte-americana no combate às drogas.
Portanto, observa-se que o governo precisa investir nos sistemas assistenciais mais eficazes, destinando verbas à área da saúde dos dependentes químicos. Alimenta-se a ideia da legalização das drogas e os benefícios, como que a fabricação estaria nas regulações legais e a corrupção, devido ao envolvimento com o tráfico, diminuiria, e os custos do combate seriam redirecionados aos centros de assistência. Não deixando de lado a importância das instituições midiáticas e sociais na aprendizagem coletiva para conviver com as drogas, assim como convive-se com cigarros e álcool, o que ajudaria os dependentes químicos a serem reinseridos e aceitos na sociedade.