Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 02/04/2020

Na série televisiva ‘‘Breaking Bad’’, o personagem antagonista Hank, um policial do Controle e Combate às Drogas, delibera de forma extremamente realista a questão da precariedade pública bilateral, segurança e saúde social, do combate ao uso de alucinógenos. Distando-se da ficção e aproximando-se da realidade, a questão do tratamento de dependentes químicos ainda é um problema predominante no tecido social, este que apresenta diversos obstáculos voltados aos meio socioeconômico e governamental.

Segundo a UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime), estima-se que cerca de 35 milhões de pessoas no mundo sofrem de transtornos relacionados ao uso de drogas. Diante disso, discussões sobre o avanço dos tratamentos ao redor do globo se tornaram a principal pauta tratada em conferências mundiais sobre entorpecentes. Além do número alarmante de usuários, outro dado choca a sociedade: apenas 1 em cada 7 pessoas recebe tratamento adequado para a superação do vício. Diante disso, é notória a desigualdade enfrentada pelos países e principalmente por sua população. Tal desconformidade pode ser causada por fatores como a ausência de políticas públicas e até mesmo verba para a constituição de instituições de combate e trato ás drogas. Ademais, o preconceito também é um coeficiente significativo. Na atualidade, os dependentes químicos são vistos com maus olhares pela sociedade, esta que não mostra-se empática ou interessada nos problemas enfrentados por essa parcela do conjunto social.

No Brasil, diversos são os problemas enfrentados acerca da problemática coletiva. Desde a falta de recursos até a criminalização imprudente de autoridades públicas perante os usuários. Razões essas que resultam na crescente violência que vitimiza milhares de brasileiros todos os anos. Áreas menos favorecidas economicamente como as favelas, periferias e comunidades se revelam um desafio recorrente. Locais como esses em que o crime, o tráfico e a dependência reivindicam seu espaço. Muitos foram os programas que tentaram se consolidar nesse meio tempo, todavia, a falta de incentivos e recursos sobressaiu-se na realidade brasiliense.

Destarte, é mister que providências sejam tomadas para amenizar o quadro atual. Para a conscientização perante o problema, torna-se necessária a discussão mais recorrente e a disponibilização de verbas públicas voltadas a instituições de tratamento de dependentes. No contexto nacional, o Ministério da Saúde e o Ministério da Justiça e Segurança Pública devem se aliar e organizar medidas efetivas no âmbito discutido, além de promover campanhas publicitárias de caráter informativo afim de assegurar o conhecimento democrático do problema.