Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 03/04/2020

Na série Euphoria, a protagonista utiliza drogas como uma espécie de válvula de escape para os seus problemas. Assim também é a realidade de inúmeras pessoas no Brasil e, por isso, é de extrema importância a existência de tratamentos eficazes para dependente químicos. Entretanto, esse cenário é impossibilitado pela ineficácia de políticas públicas aliado ao preconceito da sociedade.

Em primeiro plano, a estratégia governamental de combate ao abuso de substâncias químicas está consolidada na política de ‘‘guerra às drogas’’. Essa escolha, além de custosa - e na maioria dos casos - ineficiente, desvia recursos que poderiam ser aplicados na reabilitação do dependente. Como resultado, há poucos centros de tratamento espalhados pelo país e os que existem estão não só deteriorados como também carentes de profissionais e de medicamentos, o que, indubitavelmente, afeta a qualidade da intervenção clínica.

Outro ponto relevante é o papel desempenhado pela sociedade nesta questão. O cientista Albert Einstein afirmava ser mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito, fato observado no imaginário social, que retrata vítimas da dependência como exemplos de falta de caráter e de degradação moral. Essa postura insensível da sociedade impacta fortemente na vida de um dependente químico, visto que dificulta o reconhecimento do vício e da necessidade de ajuda, seja por medo ou vergonha do julgamento alheio.

Portanto, fica claro a necessidade de mais investimentos, por parte do Governo Federal em parceria com o Ministério da Saúde, na construção e manutenção de centros de reabilitação. Ademais, é fundamental que ONGs e outras instituições sociais conscientizem a população por meio da mídia - grande influenciadora da sociedade brasileira - sobre a importância do tratamento e do apoio de pessoas próximas na recuperação. Com isso, espera-se que esses desafios sejam minimizados e que tais pessoas possam ser reinseridas na sociedade.