Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 03/04/2020
A todo momento as pessoas são cobradas e influenciadas pelo meio que vivem; o filósofo Karl Max em um de seus conceitos afirma que é o ser social que determina a consciência humana, algo que é observado na elevada quantidade de usuários de drogas, estes reproduzem um comportamento social ilegal. No Brasil, em 2013, de acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas, 3% da população geral equivalia a dependentes químicos, e o tratamento destes indivíduos não está sendo realizado de forma eficiente; a problemática brasileira é sustentada pela insuficiência nas políticas públicas e na procura por cuidados médicos.
O governo federal é claramente contrário à legalização das drogas no país, e por isso as ações de repressão ao narcotráfico são intensas, malgrado a chamada política de ’’ guerra às drogas’’ vem fracassando desde sua origem. O Rio de Janeiro é o exemplo perfeito deste quadro; o orçamento para a segurança pública no estado só é superado pelos investimentos em saúde e educação. Entretanto, tal preferência gera, além do aumento na violência, insuficiência de verbas destinadas à esfera de tratamento, dificultando o aumento no número de centros, profissionais, pesquisas científicas, etc. Com isso os dependentes enfrentam obstáculos para acessar tratamentos, e é essencial que o acesso a esses serviços seja fácil, visto que se a ajuda for de difícil acesso a pessoa pode desistir rapidamente.
Do mesmo modo a sociedade e o preconceito contra dependentes químicos também dificulta a recuperação. Ao invés de perceber o usuário de drogas como alguém que precisa de amparo, a sociedade encara o consumo de drogas pelo viés da repressão e indivíduos viciados sãos vistos como perigosos, expulsos de sua família e muitas vezes mortos pela polícia. Acerca disso é importante salientar que o tratamento não se deve basear somente na desintoxicação, também deve haver aconselhamento individual e terapia, quanto mais as terapias abordarem os problemas íntimos, mais condições os dependentes terão de se livrar das drogas .
Tendo em vista os argumentos supracitados, observa-se a necessidade de melhora da questão. O governo deve aumentar o financiamento de comunidades terapéuticas no país, como vem fazendo desde 2019; ademais também deve haver incentivos na ressocialização do indivíduo, que ao retornar para casa precisará de um trabalho digno. E é essencial o trabalho de prevenção de uso de drogas, por meio de campanhas publicitárias e de parceria mais intensivas destinadas a crianças em situações de risco, como o Programa Forças no Esporte (Profesp), que oferece a crianças e adolescentes a possibilidade de terem atividade esportivas no contraturno escolar.