Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 04/04/2020
Segundo Oscar Wilde, a insatisfação é o primeiro passo para o progresso humano ou de uma nação. Nesse sentido, observa-se atentamente a necessidade do tratamento de dependentes químicos no Brasil sob o viés de garantir um melhor desenvolvimento harmônico e social do país. Sob tal ótica, convém destacar ainda que esse deve enfrentar sérios desafios como a carência de recursos e institutos de reabilitação, bem como a falta de profissionais qualificados em diversos setores nesse sistema de recuperação do cidadão brasileiro.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS, dependência química deve ser vista como uma doença e está associada com distúrbios psiquiátricos. De fato, esse é um dos principais desafios para aceitação tanto do dependente quanto da sua família. Consequentemente, ocorre a negação do usuário em se tratar nas clinicas de reabilitação e a vergonha em assumir que precisa de ajuda. Outro desafio que pode ser citado, é o problema financeiro já que, segundo o estudo elaborado pela Organização das Nações Unidas para Educação a desigualdade e a exclusão social são agravantes para o consumo de drogas e apesar de haver clinicas públicas que recebem auxilio do governo, a saúde pública no Brasil enfrenta uma crise e alguma dificuldades repercutem há anos nos hospitais brasileiros. Logo, muitas das clinicas contratam voluntários que não são qualificados para esse serviço.
Em Junho de 2019, foi aprovada a Lei de número 13840, na qual autoriza a internação compulsória de usuários. No entanto, o histórico brasileiro evidencia que medidas coercitivas, já tentadas anteriormente e resultada na Revolta das Vacinas, não resolvem problemas nacionais e, em verdade, deve-se combater a desigualdade social para que haja redução do números de dependentes químicos. É necessário, portanto, o esclarecimento formal da sociedade acerca dos malefícios oriundos da utilização de drogas. Por exemplo, Carl Hart fala que substituir substâncias químicas é mais seguro do que simplesmente parar de usar, porém, na cultura brasileira a abstinência abrupta ainda é vista como uma forma saudável.
Contudo, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos sugerir a revogação da Lei 13840, ao Ministério da Economia diminuir a desigualdade social e o Ministério da Saúde melhorar o atendimento público. Essa ações deveriam ser feitas por meio da explicação, ao plenário, acerca das mazelas oriundas dos processos coercitivos, com objetivo de evitar a promoção de ideias higienistas compulsórios e, consequentemente, de evitar revoltas como a Revolta da Vacina e por meio da ampliação de programas sociais de distribuição de vendas afim de diminuir os índices de dependentes químicos.