Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 03/04/2020
De acordo com o levantamento nacional de famílias (Lenad), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ao menos 28 milhões de pessoas no Brasil têm algum familiar com dependência química. Essa é uma doença crônica que compromete todos os aspectos da vida física, mental, emocional e social do dependente, felizmente ela é passível de tratamento, proporcionando o controle da situação em que o paciente se encontra.
Cada indivíduo consumidor de substâncias químicas maléficas apresenta uma motivação diferente para ter se tornado usuário das tais. Um jovem, por exemplo, pode ter estreado o uso de drogas para se encaixar em um grupo de colegas que tinham esse hábito, já um adulto, para fugir dos seus problemas cotidianos, esquecer alguma mágoa ou até mesmo por diversão, se tornou dependente químico. Independente da motivação que levou uma pessoa a iniciar a ingestão de drogas ou bebidas alcoólicas, a tendência é que haja o aumento da tolerância desses produtos, acrescendo a quantidade consumida para a suposta satisfação do usuário proporcionando “um incrível sentimento de poder”, de acordo com a escritora Christiane Vera e juntamente com isso agravando os danos à saúde dele.
“Tratar a dependência química não é apenas curar os efeitos que as drogas causam no indivíduo, é reorganizá-lo por completo”, afirma Célio Barbosa, coordenador-geral dos centros de atendimento às famílias da paz, validando a ideia de que o tratamento de pacientes com dependência química é um processo longo e que deve se adaptar às prioridades de cada um individualmente. Assim que o dependente químico, ou a sua família decidir buscar ajuda, os meios de tratamento devem ser de fácil acesso para que não haja a desmotivação deles, infelizmente o Brasil tem carecido de um pronto atendimento à esses pacientes, levando em conta a falta de profissionais especializados na área de reabilitação, como psiquiatras e psicólogos.
Isto posto, é essencial que medidas sejam tomadas afim de abrandar essa problemática. Para conscientizar a população, requere-se que o Ministério da Saúde crie, por meio de verbas governamentais campanhas publicitárias em ambientes altamente frequentados que deixem explícito as consequências causadas ao organismo humano provenientes do vício das drogas e que o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilize com mais facilidade tratamento aos pacientes debilitados oferecendo profissionais qualificados para lidar com a situação. Assim as pessoas estarão conscientes ao consumir qualquer tipo de substância maléfica, seja qual for a motivação e os meios de tratar a dependência química serão mais facilmente acessados.