Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 04/04/2020
O Mito da Caverna das drogas: dificuldades de e para não ser um prisioneiro
De acordo com o psicólogo Lev Vygotsky, o meio, enquanto sociedade, influencia diretamente a formação do homem e, a partir disso, pode-se justificar o alto número de dependentes químicos no Brasil. Seguinte a esse pensamento, há a problemática dos desafios para o tratamento dos dependentes decorrente de, por exemplo, a dificuldade de reinserção no meio social, tanto de trabalho quanto de convivência típica, e da parcial ineficácia de políticas públicas.
A priori, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil oferece menos leitos do que o essencial, conseguinte da constante ausência da alta e necessária verba voltada para a área da saúde no auxílio de toxicodependentes, que além de necessitarem de recursos médicos, também devem ter ajuda psicológica. Ademais, a precariedade é, também, resultado da priorização ao combate às drogas, que demanda altos custos e inviabiliza maiores investimentos em estruturas como centros de reabilitação, na contratação de mais psicólogos, e para os próprios médicos, que muitas vezes não possuem a abordagem adequada para com os usuários por não terem treinamento quanto ao assunto.
Outrossim, é importante ressaltar a indispensabilidade do apoio daqueles que compõem o centro de convivência do usuário, considerando que, segundo o sociólogo Émile Durkheim, a solidariedade social, e assim, a consciência coletiva, são essenciais para a harmonia na vida individual e da própria sociedade como um todo. Dessa forma, é possível dizer que na ausência de suporte (especialmente mental) e da aceitação do usuário, o mesmo tende a recorrer às drogas novamente. Sendo assim, por certo, o preconceito voltado a antigos ou ainda dependentes apenas favorece o desamparo, dificultando o processo de tratamento.
Em suma, observa-se a imprescindibilidade de ajuste de medidas que visem melhorar o tratamento para dependentes químicos. A exemplo, por meio de auxílio de ONGs e de ações governamentais que facilitem a reinserção do dependente nos meios sociais, especialmente os de trabalho, e na aplicação de maiores investimentos na construção de centros adequados e na propagação de informações acerca de localidade e dos requisitos. Além disso, programas educacionais de conscientização e de resistência às drogas, como o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas), são de extrema relevância, levando em conta que, também de acordo com Durkheim, a educação pode ser considerada como uma das principais bases para o indivíduo e para o molde social.