Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 30/05/2020

No filme 28 dias, Gwen Cummings é uma escritora dependente alcoólica que foi internada em uma clínica de reabilitação e passa a mudar sua perspectiva sobre as coisas, tendo uma recuperação positiva. De modo análogo, no Brasil, dependentes químicos sofrem impasses nos tratamentos de reabilitação, pois esses não são realizados de forma efetiva. No contexto, há fatores que não podem ser negligenciados, como as drogas serem tratadas com tabu e a insuficiência de políticas públicas eficazes. Dessa forma, urgem medidas para a mudança dessa realidade para melhoria social.

Em primeiro plano, é importante salientar que falar de drogas no Brasil é um assunto limitado, por se tratar de um tema visto como tabu. Nessa linha de raciocínio, é pertinente citar as ideias do filósofo William James, o qual assevera que “O ser humano pode alterar a sua vida mudando sua atitude mental”. Com base nisso, enquanto a sociedade tratar a dependência de drogas como um assunto interdito, as possibilidades eficazes de tratamento serão uma utopia, visto que, sem haver a divulgação do problema -conversas sobre os tratamentos de dependentes químicos-, não há como haver interesse de solucioná-lo. Sob essa ótica, é nítido que se as pessoas começarem a enxergar o assunto de dependentes químicos e as medidas de tratamento, será possível melhorar a vida desses indivíduos.

Outrossim, convém ressaltar a ineficiência de políticas públicas quanto ao tratamentos de dependentes químicos no país. Para compreender melhor, é oportuno mencionar o filósofo Thomas Hobbes, segundo ele, o estado é responsável por regular as relações humanas, garantir o bem-estar de todos. Infere-se, assim, que, em se tratando de intervenções aos dependentes químicos no país, o estado não dispõe de alternativas eficazes de combate as drogas e do tratamento dos usuários e isso atrasa o bem estar social. No contexto, em 2019, foi aprovada a lei 13.840 que ordena a internação compulsória do dependente químico. No entanto, o tratamento não pode ser generalizado, logo, cada usuário enfrenta a dependência de uma forma diferente, então, é preciso tratamento especifico a cada pessoa e não somente internação compulsória aplicada à todos.

Diante o exposto, vê-se a necessidade de expandir meios de tratamentos para dependentes químicos no Brasil. Para isso, cabe as mídias socioeducativas em parcerias com ONGs, realizarem a divulgação de vídeos nas redes sociais e panfletos nas ruas, que abordem a necessidade de tornar a dependência química um assunto importante a fim de extinguir o tabu. Ademais, ao Ministério da Saúde cabe a ampliação de centros capacitados que estudem as especificidades de cada dependente químico, na finalidade de tratar cada usuário com sua necessidade. - isso tornará o tratamento mais eficaz. Sendo assim, poder-se-á melhorar as terapêuticas voltadas aos dependentes químicos.