Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 26/05/2020
Na canção “A reason to fight”, da banda estadunidense “Disturbed”, é contada a história de um homem que venceu o alcoolismo através do amor pela sua família. Fora da ficção, a dependência química é um problema de saúde pública, logo, faz-se dever do Estado resolvê-lo. Entretanto, o alto custo pelo tratamento em clínicas terapêuticas, bem como, a escassez de políticas eficientes contra o tráfico ostensivo, mostram a ineficiência do Poder Público perante essa problemática.
Em primeira análise, vale constatar os preços estratosféricos das clínicas de reabilitação, que inviabilizam o acesso de dependentes em situação de vulnerabilidade social. Segundo um levantamento realizado pela Unifesp, a Universidade Federal de São Paulo, entre 2012 e 2013, existem cerca de 8 milhões de usuários químico no país. Aliando esse dado ao alto índice de pobreza, conclui-se que parcela significativa desses dependentes não possui condições de pagar por um tratamento -que chega na casa dos 4 dígitos. Desse modo, é necessário uma contra partida do Estado que possibilite o acesso à reabilitação.
Ademais, as medidas de controle realizadas pelo Poder Público não são capazes de suplantar o crime organizado. Em outra perspectiva, tem-se Paulo Freire, filósofo e educador pernambucano, que diz: “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Por essa razão, políticas públicas que não ataquem o cerne do problema - a educação - estão fadadas ao fracasso.
Diante do exposto, é evidente a necessidade de uma nova abordagem do Estado em relação a tais problemas. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Economia, afim de baratear os tratamentos, por meio de apoio fiscal e técnico, subsidiar as atividades exercidas nas comunidades terapêuticas. Além disso, o Ministério da Educação, junto às escolas, com o intuito de conscientizar crianças e adolescentes sobre os perigos da dependência química, desenvolva programas de educação no ambiente escolar, recorrendo a palestra - com especialistas e ex-usuários- e outras atividades pedagógicas. Dessa forma, “arrancando o mal pela raiz”, será construído um futuro livre da dependência.