Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 16/06/2020
A dependência química caracteriza-se pelo uso descontrolado de uma ou mais substâncias psicoativas, ou seja, que alteram o estado mental da pessoa, sendo elas lícitas ou não. Devido aos efeitos desse quadro a longo prazo, como a destruição de neurônios e o desenvolvimento de doenças psiquiátricas, é essencial garantir a recuperação dos viciados, a fim de preservar a sua saúde em todos os aspectos. Contudo, o tratamento dessas pessoas e sua reinserção na sociedade encontra entraves decorrentes, sobretudo, da escassez de recursos das clínicas e da discriminação encontrada no meio social. Logo, deve-se analisar a fundo esses fatores, a fim de contornar a problemática.
Inicialmente, é necessário destacar que a carência de políticas públicas voltadas ao tratamento de dependentes químicos é um dos fatores que impulsiona a perpetuação da realidade supracitada, ainda mais tendo em vista a imensa demanda existente por verbas oficiais ou mesmo por centros de recuperação públicos. Nesse contexto, a escassez de clínicas de reabilitação e também a falta de estrutura e de condições sanitárias em muitas delas impede a eficácia e a adesão aos tratamentos por parte dos pacientes. Prova disso é que, segundo a Central Única das Favelas. a cada 100 usuários de drogas, apenas cinco estão em casas de recuperação, e destes, 20% concluem o tratamento.
Além disso, destaca-se que, além da desintoxicação, o restabelecimento das relações sociais e o apoio nos relacionamentos e no convívio com outras pessoas é um fator decisivo no tratamento dos dependentes químicos, visto que o vício envolve aspectos psicológicos e sociais do indivíduo. Contudo, a discriminação enfrentada por essas pessoas no meio social as priva de diversas oportunidades, além de aumentar suas chances de recaída, considerando a frustração e a insegurança geradas. Logo, para combater o preconceito, é essencial a conscientização da sociedade quanto aos fatos que envolvem essa questão, visto que, consonante ao escritor William Hazlitt, para quem “o preconceito é filho da ignorância”, entende-se que a atitude preconceituosa é fruto de um corpo social desinformado.
Portanto, é necessária uma intervenção que solucione a questão supracitada. Assim, a Receita Federal, órgão responsável pela administração dos tributos federais, deve ampliar os investimentos no setor Judiciário, por meio do direcionamento de maior parcela dos impostos arrecadados à construção e manutenção de clínicas de tratamento no país. Assim, poder-se-á garantir o atendimento dos viciados pela rede pública. Ademais,o Ministério da Educação, junto à mídia, deve promover campanhas de reinclusão dos ex-dependentes químicos no meio social, com a divulgação, nos canais televisivos, de filmes que sensibilizem a população perante o tema, a fim combater os preconceitos enraizados na sociedade. Dessarte, garantir-se-á a recuperação das vítimas da dependência química no Brasil.