Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 01/06/2020
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a dependência química como uma psicopatologia, isto é, como uma doença. Todavia, no Brasil, essa questão não só é tratada de forma moral, carregada de tabus, mas também de modo agressivo, nas ações policiais, o que é contradiz a OMS e configura desafios para o tratamento de dependentes químicos. Desse modo, o diálogo naturalizado é necessário para atenuar tal problemática.
De início, cabe elucidar a carga moral que os entorpecentes recebem na sociedade brasileira. Sob esse ângulo, as drogas são associadas à falta de valores e virtudes, o que causa constrangimento àqueles usuários que carecem de ajuda, dificultando a busca pelo tratamento. Isso é contraproducente, já que, consoante o médico Drauzio Varella em sua série de vídeos “Drauzio Dichava”, falar de maneira franca é o mais indicado, pois o tabu relacionado às drogas atrapalha a intervenção médica. Em síntese, a forma de abordagem sobre esse tema deve ser humanizada.
Além disso, o trato hostil e sob ação policial polarizada, comum no Brasil, é um gargalo para a mitigação da toxicomania. Nesse sentido, o documentário “Notícias de uma guerra particular” desvela que a política antidrogas repressiva e concentrada em periferias não soluciona a conjuntura em questão. Tais atuações estatais mostram que os grupos excluídos socialmente são mais prejudicados, por receberem violência quando necessitam de assistência. Dessa forma, é preciso tratar a dependência química como aspecto sanitário, sem uso de repressão.
Portanto, observa-se que é imprescindível a efetivação de políticas sanitárias para a cura de toxicômanos. Por conseguinte, é imperioso que o Ministério da Saúde - em parceria com a Mídia digital e radiofônica, para que atinja o público de todas as idades - atue na desconstrução das drogas como um tabu, por meio da promoção de campanhas educativas que diluam os estigmas sociais ligados aos narcóticos, a fim de facilitar a busca do usuário por ajuda médica. Assim, a dependência química será concebida como questão de saúde pública, como preconiza a OMS.