Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 21/06/2020
Promulgada pela Organização das Nações Unidas, a declaração universal dos direitos humanos assegura a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Conquanto, o precário tratamento a dependentes químicos impede que estes usufruam deste direito na prática. Dessa forma, evidencia-se a necessidade de ações governamentais e culturais para a resolução desse problema.
Primeiramente, é notório que há um baixo investimento no tocante ao tratamento da dependência. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil oferece 0,34% dos leitos necessários a esse problema, o que impede a garantia de cuidados à doença e acaba por agravar o quadro. Além disso, é imprescindível o apoio público a instituições sem fins lucrativos, para que haja a ressocialização dos usuários, impedindo-os de retomarem o vício.
Ademais, deve-se ressaltar a influência do meio artístico no combate ao uso de estimulantes químicos. O filme “Réquiem para um sonho” retrata a trajetória de personagens que, ao tornarem-se usuários, desenvolvem a dependência química e acabam tendo a saúde deteriorada e o prestígio socioeconômico perdido. Dito isso, ressalta-se a necessidade de produções audiovisuais que englobem o tema, a fim de não só alertar os riscos do vício, como também servir como entretenimento cultural e atingir uma grande parcela da população propícia ao uso de drogas.
Infere-se, portanto, que é de suma importância a atuação estatal no espectro clínico, artístico e midiático. O financiamento sanitário deve ser feito por programas sociais, para que se cumpra a exigência de leitos no tratamento e, em conjunto com outras instituições, haja a ressocialização dos ex-usuários. Na esfera cultural, deve-se haver o subsídio por meio do Ministério da Cultura, a fim de que se alerte os riscos do uso de drogas por meio de produtos culturais. Além disso, é papel estatal propagar anúncio acerca dos centros de reabilitação e dos malefícios do vício, por meio das redes sociais ou televisivas, havendo a plena conscientização do problema. Só assim, cumprir-se-à o direito universal à saúde e ao bem-estar social.