Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 28/08/2020
Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca dos desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil. Isso torna-se evidente devido à resistência do paciente para reabilitação e, também, à falta de suporte familiar do necessitado. Logo, remediar essa mazela é imprescindível para a plena harmonia social.
Segundo o conceito sociológico efeito manada, que se relaciona com o comportamento do ser humano, as pessoas possuam uma tendência social de repetir ações feitas por outros, ainda mais se estes forem influentes. Desse modo, com a imposição de um padrão de vida, muitos indivíduos passam a utilizar drogas ilícitas para se adequarem a certo grupo da sociedade por exemplo. Sendo assim, alguns desses usuários podem se viciar nas substâncias, precisando de um acompanhamento médico para se tratarem, porém é um obstáculo ganhar a confiança e aprovação do dependente. Dessarte, o adicto às drogas resiste à intervenção, já que acredita que isso pode apagá-lo socialmente, pois não estará mais em sintonia com o restante dos amigos. Com isso, ao ser submetido ao cuidado profissional, o paciente pode passar por situações traumáticas como ser levado à força ou, até mesmo, ser dopado devido à resistência feita por ele.
Em consonância a isso, a filósofa Hannah Arendt – em sua tese “Banalidade do Mal” – evidencia que há a trivialidade da maldade, ou seja, a naturalização de diversos males. Isso corresponde, para Arendt, ao vazio do pensamento, momento em que o mal se instala, tal qual, no descaso familiar diante da situação de parentes submissos ao uso de drogas. Nesse sentido, é um empecilho garantir que o usuário passe por mudanças de hábitos se aqueles que deveriam ajudá-lo emocionalmente não compreendem a gravidade do problema e não se atentam para apoiar o paciente. Por fim, consequências são geradas, dado que as pessoas continuarão subordinas às substâncias ilegais, podendo até influenciar outros a seguirem esse exemplo, o que gera mais dependentes químicos, logo, mais difícil será assegurar uma intervenção efetiva em todos sem o apoio da família e dos amigos.
É necessário, portanto, que o Governo, em específico o Ministério da Saúde com o SUS, crie campanhas educacionais para as pessoas de todas as faixais etárias. Essa ação será feita por meio de propagandas semanais nos rádios e nas televisões durante o horário nobre, elas abordarão as causas e as consequências do uso das drogas, além de informarem sobre o tratamento, como esse deve ocorrer. Nesse sentido, isso tem o intuito não somente de remediar a resistência do usuário diante da reabilitação, mas também de levar conhecimento para as famílias, assegurando que elas ofereçam o suporte necessário ao dependente químico.