Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 31/08/2020
Em 1968, o movimento de contracultura realizado pela passeata estudantil no Rio de Janeiro, correlacionou o consumo de drogas à luta pela liberdade. Entretanto, no Brasil atual, percebe-se dentre as frustrações e ansiedades do século, graves empecilhos para o tratamento de dependentes químicos, seja pelo crítico sistema de saúde pública, seja pela falta de engajamento da sociedade. Assim, faz-se necessário uma ação integrada entre o Estado e a comunidade civil no sentido de reverter esse quadro.
De início, é inteligível que as falhas governamentais cooperam para o cenário de precariedades da saúde pública. Isto posto, de acordo com a Constituição Federal Brasileira, todos os cidadãos possuem direito à saúde e ao bem-estar social. De forma descontínua, na atualidade, dentre os indivíduos que se encontram na margem da sociedade, os dependentes químicos carecem de atendimento, diagnóstico, atenção e reinserção social. Dessa maneira, além de dificultar o tratamento desses cidadãos, compromete também o funcionamento e desenvolvimento regular da suas famílias.
Ademais, é notório que a pouca pressão social no sentido de resolver a questão é determinante para o continuísmo desse quadro alarmante. Como exemplo disso, o sociólogo Émile Durkheim disserta que a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por, assim como o próprio organismo, apresentar partes que interagem entre si. Em contraposição, hodiernamente, há pouca participação ativa da população civil no apoio à recuperação, no incentivo ao tratamento e na cobrança de recursos ao Governo para o acolhimento das pessoas viciadas no uso de drogas. Sendo assim, a inércia dos cidadãos frente à questão promove o fortalecimento das dificuldades para cura dos dependentes de entorpecentes no território brasileiro.
Portanto, comprova-se que o cumprimento incoerente das leis e a indiferença diante da criticável realidade brasileira, compromete, consequentemente, o desenvolvimento da sociedade. Dessarte, dentre inúmeras medidas cabíveis para reduzir a problemática, cabe ao Ministério da Saúde, promover maior número de oficinas terapêuticas, por intermédio da construção de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em áreas mais pobres do país. Pode-se citar, por exemplo, as oficinas expressivas, que trabalham a expressão plástica, o movimento do corpo e as funções cognitivas, com o intuito de desenvolver habilidades manuais, sensibilidade, recuperar a saúde mental do paciente e reinseri-lo socialmente. Por fim, o número de dependentes químicos será mitigado, a sociedade viverá em consonância com a Carta Magna vigente e fará jus à teria de Durkheim, vivendo de forma igualitária e coesa.