Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 09/09/2020
Desde o surgimento da Revolução Francesa no século XVIII, entende-se que os problemas sociais só se resolvem quando há uma união das pessoas como sociedade. Entretanto, os desafios para tratar viciados químicos no Brasil aponta que os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, pregados por esse motim, são atestados na teoria, mas não preferivelmente na prática, mostrando que a problemática permanece enraizada à realidade do país, seja pela prioridade do governo em combater as drogas e, também, pelo meio social que o indivíduo está inserido. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim de um pleno funcionamento da sociedade.
É relevante abordar, primeiramente, que os poucos lugares oferecidos gratuitamente para tratamento dos dependentes químicos, deriva de uma inércia governamental. Segundo Aristóteles, a política deve ser uma arte de se fazer justiça e, com ela, levar equilíbrio para a sociedade. De maneira símil, é possível perceber que a preferência do governo em combater o tráfico, ao invés de legalizar e fiscalizar, desfaça essa harmonia, haja vista que de acordo com a revista Exame, o orçamento para subsidiar a guerra contra as drogas, no Rio de Janeiro, em 2016, chega a ser o terceiro maior, perdendo somente para a saúde e educação. Todavia, esse dinheiro, com a legalização, poderia ser realocado para a construção de espaços destinados ao tratamento gratuito dos narcóticos dependentes.
Paralelamente a isso, o pensamento do sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, de que o mundo está vivendo uma “Modernidade Líquida”, na qual as relações sociais, políticas e econômicas são superficiais e não duradouras, se evidencia quando os políticos não fazem nada para melhoria da qualidade de vida dos mais pobres, uma vez que essa desigualdade influencia diretamente no vício das drogas, como é afirmado pelo estudo de Bruce Alexander, na qual mostrou que os ratos que tinham em suas gaiolas opções de lazer e um melhor conforto de vida, consumiram menos drogas quando se comparado aos que não tinham nenhum divertimento.
Com isso, pode-se perceber que o debate acerca dos desafios para o tratamento de dependentes químicos seja imprescindível para a construção de uma sociedade mais utópica. Diante disso, é imperativo que o Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério do Desenvolvimento, elabore um projeto de lei, que deverá ser entregue ao poder legislativo, que obrigue os estados a destinarem 40% da verba do combate as drogas para a construção e manutenção de centros de reabilitação dos viciados. Dessa forma, famílias carentes, que não possuem condições de pagar um tratamento em uma clínica particular, conseguirão que esses indivíduos sejam tratado gratuitamente e tenham uma maior chance de largar de vez esses psicoativos.