Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 13/09/2020
De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, os fatos sociais constituem normas da coletividade dotadas de exterioridade, coercitividade e generalidade. Em consonância com a teoria sociológica, é nítido que a dependência química gera impactos negativos nas relações comunitárias, devido a sua ampla influência em estruturas socioeconômicas e comportamentais. Com efeito, torna-se mister expor e analisar os principais desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil: a negligência governamental e o descaso da população.
A princípio, é imperativo elucidar que a Constituição Federal de 1988 garante o direito à saúde e ao bem-estar como inalienáveis a todos os cidadãos. No entanto, tal preceito jurídico faz-se pouco efetivo em metodologias práticas, em virtude da ineficácia do Poder Público em lidar com indivíduos com problemas relacionados com a dependência química. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil oferece uma quantidade inferior de leitos hospitalares necessários para o tratamento dos dependentes. Desse modo, denota-se que a falta de políticas públicas que priorizem ações terapêuticas agrava ainda mais o cenário hodierno.
Sob outro prisma, é válido averiguar que a ausência de engajamento da sociedade civil constitui um impasse para o pleno tratamento de dependentes químicos. Paralelo à perspectiva da filósofa Hannah Arendt, a pluralidade é inerente à condição humana, de maneira que todos os indivíduos deveriam estar habituados a conviver com as diferenças. Todavia, a falta de organização cívica para a resolução de problemas da comunidade revela que o preconceito e o individualismo excessivo imperam na dinâmica de convívio social.
Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete a urgência de providências para mitigar o complexo panorama vigente. Portanto, compete ao Ministério da Saúde, mediante verbas públicas, destinar mais investimentos em clínicas para o tratamento dos viciados, bem como realizar medidas de restauração aos locais com carências infraestruturais. Isso deve ter como objetivo priorizar a saúde e o bem-estar dos dependentes, auxiliando-os no processo de reinserção social. Ademais, cabe ao Ministério da Educação (MEC) implementar palestras e projetos socioeducativos nas escolas de combate ao preconceito social no que tange à dependência química, com o fito de conscientizar a população desde cedo acerca do problema. Assim, o Estado e a civilidade serão mais promissores em lidar com as adversidades coletivas.