Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 29/09/2020

A novela brasileira Mulheres apaixonadas, retratou a vida da professora Santana, uma mulher que sofria intensamente com o vício do alcoolismo, chegando a dar aula embriagada. Nessa perspectiva, fora da ficção, a realidade é semelhante, afinal, muitos indivíduos encontram-se em um estágio incontrolável de dependência química, o que pode desencadear sérios problemas, como a síndrome do pânico, delírios e intoxicações. Logo, os principais fatores que corroboram essa patologia social são: deficiências psicológicos e a negligência estatal no que se refere a investimentos na área da saúde.

Em primeiro plano, segundo o sociólogo Émille Durkheim, anomia social é um termo que retrata o estado de caos o qual uma comunidade vivencia. Nesse ínterim, é notório que muitos cidadãos que, atualmente, encontram-se submissos às substâncias alucinógenas, passaram por algum momento de frustação, ansiedade e depressão, fazendo com que eles enxerguem nas drogas um caminho de libertação. Além disso, muitos traumas de infância somado a problemas familiares são situações que aguçam no indivíduo, principalmente, na juventude, a vontade de se rebelar ou tentar outros caminhos para obterem prazeres momentâneos e uma forma de preenchimento, sendo os entorpecentes a opção mais procurada. Dessa maneira, é nítido que a dependência química é uma doença crônica que atinge pessoas de diferentes idades e acaba afetando, diretamente, a vida psíquica, emocional e social do portador.

Em segundo plano, de acordo com o filósofo Arthur Schopenhauer, o maior erro humano é sacrificar a saúde a qualquer outra vantagem. Nessa ótica, sabe-se que o dependente químico tem os seus direitos sociais violados, haja vista a falta de apoio governamental na manutenção de centros de reabilitação, terapias e apoio às famílias dos drogados. Ademais, para tratar esses indivíduos, o serviço é árduo e as vezes, demorado, pois depende de vários fatores, como, por exemplo, a adesão do usuário e o tempo que ele faz uso de drogas. Nesse sentido, o tratamento de dependentes  no Brasil é um desafio, pois, o sistema de saúde não conta com uma rede multiprofissional de psiquiatras, terapeutas e psicólogos, dificultando, assim, a resolução dessa mazela social.

Destarte, cabe à alta cúpula governamental, liberar insumos para a área da saúde, por meio da contratação de profissionais que trabalhem nos PSFs das regiões brasileiras, com o intuito de que eles desenvolvam diálogos frequentes com os usuários, terapias semanais e façam o devido controle dos medicamentos ingeridos por eles. Somado a isso, é importante também, as visitas semanais dos assistentes sociais,verificando como está a condição do viciado de entorpecentes e orientando a família do que deve ser feito. Ações como essas terão como o intuito a geração de bem-estar a essas pessoas.