Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 06/10/2020
O documentário brasileiro “Quebrando o tabu”, dirigido por Fernando Grostein Andrade, tematiza o combate das drogas ilícitas na sociedade, em que demonstra as consequências acerca da guerra a essas substâncias químicas. Nesse contexto, percebe-se que as ações repressivas não obtiveram os êxitos necessários, uma vez que os danos causados as pessoas só aumentaram. Nesse âmbito, pode-se analisar que tanto a ineficácia das políticas públicas quanto da desigualdade social são fatores que corroboram as dificuldades de se tratar os dependentes químicos no Brasil.
Inicialmente, é importante ressaltar que a ineficiência das políticas públicas ao tratamento das pessoas viciadas em substâncias nocivas precisa ser atenuado. A exemplo disso, a Lei 13.840, sancionada pelo Governo Federal em junho de 2019, a qual autoriza a internação compulsória de dependentes químicos no território nacional. Analogamente, tal fato é evidenciado no documentário brasileiro “Quebrando o tabu”, em que os especialistas demonstram a ineficácia das ações governamentais para tratar esses doentes, uma vez que utilizam de atos repressivos para coibirem esses indivíduos na sociedade. Desse modo, essas pessoas não procuram centros de ajuda especializada. como clínicas de reabilitação, por possuírem uma certa resistência ao formato de tratamento proposto pelo Estado.
Ademais, é imperativo pontuar que a desigualdade social é um fator que dificulta intervenções aos viciados em substâncias químicas. Tendo como exemplo disso, o índice de Gini - instrumento matemático utilizado para medir a desigualdade social de um determinado país - em que expõe que no ,ano de 2017, o índice do Brasil foi de, aproximadamente, 0,53 configurando-o em um país bastante desigual. Diante disso, fica claro que o abuso de produtos químicos é gerado por possuir uma vida precária, devido a falta de assistência governamental nos campos da saúde, educação e lazer, em que torna esses indivíduos excluídos socialmente. Consequentemente, essas pessoas utilizam essas substâncias sintéticas como forma de escapismo da realidade, o que pode causar a dependência.
Portanto, é notório que para que haja um tratamento adequado dos dependentes químicos no país é necessário a superação de algumas políticas públicas e da desigualdade social. Sendo assim, cabe ao Governo Federal em parceria com o Ministério da Cidadania, diminuir os índices de desigualdade social, por meio da ampliação de programas sociais de distribuição de renda, os quais deve ser fornecidos à população marginalizada e dependente de drogas, a fim de minimizar o número de dependentes químicos e romper a relação entre desigualdade social e o abuso de substâncias químicas. Logo, irá de encontro aos ditames propostos pelo documentário “Quebrando o tabu”.