Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 07/10/2020
A série britânica Peaky Blinders retrata a vida conturbada de Thomas Shelby, ex combatente da Primeira Guerra Mundial, o qual tenta aliviar os traumas deixados pela batalha por meio do ópio, uma droga alucinógena. Analogamente, os brasileiros seguem a mesma tendência de uso dessas substâncias, caracterizando uma sociedade imersa em dependência química. Nesse contexto, a busca por drogas abrange tanto as ilícitas, que são sustentadas pela rentabilidade do tráfico, quanto as lícitas, que revelam grande risco pela normalidade com que são consumidas.
Em primeiro lugar, de acordo com o jornal de notícias “G1”, o Brasil é o segundo maior consumidor de cocaína e derivados, fato que está aliado a uma das mais lucrativas atividades ilegais: o narcotráfico. Assim, a fácil proximidade de acesso às drogas por intermédio das “casas” clandestinas de comércio de entorpecentes atrai, a cada dia, novos “clientes”. A partir disso, os usuários desenvolvem a “tolerância à droga”, levando-os ao consumo de doses cada vez maiores do produto químico, no intuito de obter os mesmos sintomas promovidos em doses que antes eram menores.
Além disso, a questão da dependência não está restrita apenas às drogas ilícitas, as lícitas também oferecem perigo, pois, por ser descriminalizada, a sociedade acredita poder utilizá-la de maneira desenfreada. A exemplo disso, pode-se citar indivíduos que buscam nas substâncias químicas, como álcool e cigarro, efeitos calmantes para episódios de ansiedade e estresse. Entretanto, o filósofo Epicuro prega o alcance do prazer de forma moderada para atingir um estado de alívio existencial e tranquilidade, e não pelo exagero ou vício.
Diante do exposto, o problema da dependência química atinge todas as classes sociais inseridas em uma sociedade que valoriza o imediatismo proposto pelas drogas, sejam elas ilícitas ou lícitas. Assim, o governo, junto ao Ministério da Saúde, deve implementar forças para evitar a disseminação de uso de drogas, alertar a comunidade sobre os perigos do vício e tratar os viciados, mediante fortalecimento de programas de conscientização nas escolas e casa de apoio a dependentes químicos, objetivando impedir que outros jovens sigam pelo mesmo caminho. Por fim, é fundamental a atuação da família na conscientização e no combate às drogas, denunciando as ilícitas e estando atenta à identificação dos vícios legalizados que, geralmente, desenvolvem-se de forma camuflada à normalidade do cotidiano. Desse modo, os traumas, como os vivenciados pela personagem de Thomas, não mais serão gatilhos para o uso de produtos químicas.