Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 21/10/2020

Em sua música “Rehab”, a cantora norte-americana Amy Winehouse exprime o sentimento de desinteresse em se reabilitar pelo uso de drogas. Nesse contexto, pode-se relacionar a música com a realidade brasileira, a qual comporta o aumento no número de dependentes químicos, e a questão da necessidade do tratamento desses. Entretanto, tal procedimento não é efetuado de forma eficaz devido, principalmente, à falta de incentivo a novas formas de tratamento e ao preconceito social para com os dependentes.

É válido retratar, em primeira análise, de que forma a prática de tratamentos antiquados dificulta a recuperação desses indivíduos. De fato, o problema das drogas é tratado como uma questão moral e policial pelo Estado, o que direciona a reabilitação dos usuários para um caminho generalizado e, muitas vezes, agressivo. Sob esse viés, faz-se necessária a interpretação dessa problemática como uma questão de saúde pública, possibilitando buscar metodologias inovadoras, humanizadas e que visem o tratamento individual. Desse modo, seria possível a reinserção social e a reintegração psicológica dos dependentes químicos — garantindo o direito à saúde instituído pela Constituição Federal de 1988.

Cabe considerar, em segunda análise, que a sociedade mantém um preconceito com os usuários, considerando-os patológicos e preferindo isolá-los. Diante disso, não há a consciência individual e nem o incentivo coletivo para que haja a procura de tratamento, o que impõe limites à efetividade desse mecanismo. Nesse cenário, a sociedade, como corpo biológico — segundo as ideias do sociólogo Émile Durkheim —, precisaria que todas as suas partes interagissem para garantir a coesão e igualdade. Em vista disso, é demonstrada a importância do apoio social à esses indivíduos que se encontram em uma situação frágil.

Portanto, pode-se concluir que é necessário o engajamento do Estado e da população no combate aos desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil. Logo, o Ministério da Saúde, em conjunto com a mídia, deve promover uma maior conscientização sobre a importância do tratamento de dependentes químicos, por meio da exposição — em propagandas televisionadas e anúncios virtuais — das redes de apoio e projetos alternativos, como a cura pela arte. Espera-se que, a partir dessa medida, a sociedade possa se sensibilizar sobre a problemática e os dependentes químicos possam encontrar o apoio do qual precisam, distanciando a realidade da música “Rehab”.