Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 20/10/2020
Em suas obras, o filósofo Michel Foucault defendia a ideia de que a sociedade busca indivíduos produtivos e obedientes, e qualquer um que não obedeça a esses requisitos deve ser retirado, por meio de prisões, manicômios e outros. Nessa perspectiva, é válido pontuar que os dependentes químicos se enquadram nessa realidade, na qual o Brasil precisa de urgente remediação, visto que o vício afeta grande parte da população. Contudo, os desafios são muitos, podendo citar a negligência governamental relativa aos usuários de drogas e a latente romantização do uso dessas substâncias.
Em primeiro lugar, é evidente a negligência do Estado quanto aos dependentes químicos. Prova disso, é o desamparo constitucional que essas pessoas sofrem, visto que o país não define a quantidade exata de drogas que diferencia um usuário de um traficante, com isso, muitos indivíduos que necessitam de tratamento médico são encaminhados para prisões, onde cumprem suas penas e, ao terminarem, são postos de forma irresponsável na sociedade. Como resultado, o governo se isenta de sua responsabilidade de garantir tratamento adequado ao dependente, que muitas vezes perde sua vida devido à indiferença estatal.
Além disso, as mídias sociais, bem como filmes e músicas, glamorizam o uso de substâncias que causam dependência, sejam elas lícitas ou ilícitas. Tal afirmação pode ser confirmada através do filme “Clube dos 5”, no qual cinco jovens usam maconha durante a detenção na escola, fazendo muito sucesso entre os adolescentes. Tendo isso em vista, nota-se a gravidade da romantização das drogas, pois as mídias muitas vezes não apresentam os pontos negativos dessa ação, colocando os indivíduos em vulnerabilidade e garantindo o crescimento da exclusão social destes no Brasil.
Sendo assim, medidas urgentes são necessárias para que o cenário mude. Dessa forma, o Ministério da Saúde deve criar um programa de contenção às drogas, o qual será aplicado pelo SUS, através do encaminhamento de dependentes químicos a profissionais da saúde e da realização de campanhas sociais que visem um debate integral sobre os efeitos do uso de tais substâncias. Desse modo, obterá-se a contenção dos casos já existentes e a prevenção de novos usuários.