Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 22/10/2020
No início da década de 1900, a cidade de Barbacena, em Minas Gerais, ficou conhecida pelo seu conjunto de hospícios que abrigava e submetia a processos violentos toda população à margem da sociedade, como os dependentes químicos. Mais de um século depois, é fato que a situação dos usuários de drogas assemelha-se à realidade de outrora: o tratamento e recuperação desse grupo é precário e enfrenta grandes desafios no Brasil. Nesse sentido, é preciso avaliar como a má gestão da saúde e a ausência de um método de recuperação efetivo interferem na problemática.
Em primeira análise, é cabível averiguar como o mau uso das verbas públicas no setor da saúde dificulta o tratamento de usuários de narcóticos. Consoante ao filósofo grego Aristóteles, a boa saúde é incompatível com a ociosidade. Tal lógica mostra-se verídica no Brasil, uma vez que a falta de compromisso dos administradores públicos com a saúde impede que haja o acolhimento efetivo dos dependentes químicos. Isso porque, o dinheiro é mal distribuído e supri com deficiência até mesmo as necessidades básicas, o que leva ao abandono da população acometida pelas drogas, já que a causa é tida como secundária. Como consequência disso, os governantes ociosos prejudicam a saúde, como dito por Aristóteles, e impedem o tratamento eficiente e a recuperação dos dependentes químicos.
Somado a isso, a ausência de métodos eficientes para o tratamento de usuários é outro desafio no combate as drogas. Nesse sentido, o filme nacional “Bicho de Sete Cabeças” retratou a história de um jovem que, internado em uma clínica de recuperação, sofre em vão diversos tipos de violência física e psicológica para abandonar o vício. Paralelo a ficção, a realidade assemelha-se à trama: a utilização de métodos arcaicos e que não incluem a recolocação social do indivíduo impede a recuperação eficiente de dependentes químicos. Como resultado de tal fato, tem-se a manutenção da dependência química na sociedade e o desgaste socioemocional dos indivíduos doentes sem qualquer ganho significativo.
Fica claro portanto, a necessidade de um debate a nível nacional sobre o tema. É cabível ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, sanar a problemática. Para isso, criar um programa de atendimento físico e psicológico específico para usuários de drogas, por meio da melhor administração e distribuição do dinheiro público na saúde, a fim de garantir que essa parcela da população, através do Sistema Único de Saúde (SUS), alcance a recuperação, é fundamental. Ademais, a criação de leis que auxiliem na recolocação do ex-dependente na sociedade, a fim de incentivar tratamentos alternativos que promovam a reabilitação em todos os âmbitos é de extrema importância. Somente assim, será possível tratar de forma eficiente os dependentes químicos e evitar que realidades como as de “Bicho de Sete Cabeças” acometam o país.