Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 21/10/2020
Lima Barreto em “Diário do Hospício” descreve como sua vida foi afetada após uma internação compulsória em decorrência de sua dependência química. Apesar da história retratar o brasil de 1920, no qual a dependência era cercada de preconceitos, ela se mantém atual, visto que há uma epidemia de drogas no país, indicando a necessidade do tratamento de dependes químicos no país. Contudo, tal procedimento não é realizado de forma adequada, resultando em pessoas marginalizadas da sociedade. Nesse sentido, percebe-se que a falta de políticas eficientes de reinserção social dos usuários de drogas e de infraestrutura adequada são os principais desafios a serem enfrentados pelo estado.
Atualmente, os investimentos voltados ao tratamento de dependentes químicos são pautados na política de “guerra às drogas” e pecam na reabilitação social usuário. Entretanto, deixar de investir em meios que ajudem o usuário a reconquistar sua cidadania leva a maiores índices de recaídas e reinternações. Há ainda, de acordo com as ideias de convívio social de Durkheim, uma falta de socialização e sociabilidade de pessoas consideradas “desajustadas” do todo, ou seja, sem educar a própria sociedade para receber e apoiar os dependentes químicos em tratamento, não há como combater, de fato, a epidemia de drogas no país. Portanto, para alcançar reabilitação completa dessas pessoas, a população deve ser educada para tal.
Além de focar no retorno ao convívio social, é preciso dar atenção aos espaços onde essas pessoas são tratadas. Nesse contexto, o filme “O Bicho de 7 Cabeças” conta a história de como um jovem sofre após ser internado em um local antiquado e precário para tratar dependentes químicos. Fora do cinema, o país enfrenta uma crise de infraestrutura nos centros de reabilitação, dificultando com que os profissionais consigam lidar com essas pessoas de forma adequada. Logo, com uma infraestrutura precária, o processo de reabilitação torna-se mais complexo, além de esses centros ficarem cada vez menos atrativos àqueles que necessitam de ajuda.
Por fim, sabendo que o país enfrenta uma epidemia de dependência química, é imprescindível que o governo mitigue os desafios do tratamento dessas pessoas. Sendo assim, o Ministério da Saúde deverá destinar mais verbas aos programas de assistência já vigentes, a fim de investir na construção de centros de tratamento adequados e mais modernos. Além disso, deve-se haver meios para que a pessoa em reabilitação consiga um emprego digno. Para tanto, a Câmara dos Deputados poderá elaborar um projeto de lei que viabilize incentivos fiscais às empresas que contratarem uma cota de ex-depentendes químicos, de modo que eles consigam retornar a exercer suas cidadanias de forma plena.