Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 29/10/2020
Nas mídias de entretenimento, é comum ver dependentes químicos serem retratados de forma cômica, como é o caso do personagem “Golpe Baixo” da série humorística “Todo mundo odeia o Chris”. Contudo, ao se observar a realidade dos viciados em entorpecentes e os desafios para superá-la, encontram-se motivos para se entristecer e não para gargalhar, haja vista que o alto custo de tratamento clínico e a dificuldade de convencer o usuário de drogas a se tratar ainda são problemáticas persistentes no Brasil hodierno.
Em primeira análise, é importante notar que os custos para arcar com o tratamento de dependentes químicos são consideravelmente vultosos. Esses custos correspondem às despesas dos serviços de saúde administrados pelo poder público e também aos gastos do governo com a contratação de entidades privadas que acolhem os dependentes. Para exemplificar, em 25 de abril de 2018, o governo federal publicou um edital no valor de 87,3 milhões de reais para a contratação de tais entidades particulares, como afirma a matéria do jornal Diário de Pernambuco. Além disso, é importante lembrar que o país vive uma crise financeira, sendo assim, altos custos são sempre algo a ser evitado.
Em segunda análise, um outro entrave é a dificuldade para convencer o dependente químico a se tratar. Muitas vezes, tal dificuldade é causada pelo próprio efeito viciante da droga, que torna o usuário um escravo da substância, ou, pode ser causada também por outros problemas psicológicos gerados pelos entorpecentes, como depressão e um pessimismo excessivo que impede o usuário de acreditar que ele pode mudar de vida.
Portanto, são necessárias medidas de ação conjunta entre governo e ONGs (Organizações Não Governamentais) que lidam com dependentes químicos, com a finalidade de prevenir o consumo de drogas através da ministração de palestras de conscientização sobre o tema nas escolas de ensino fundamental e médio, destinadas aos alunos e pais, em intervalos frequentes de tempo. As ONGs também atuariam com o poder público na remediação das dificuldades aqui citadas a fim de: amenizar o problema dos custos, já que as ONGs não possuem fins lucrativos; e fazer com que a abordagem aos usuários venha a ser mais abrangente e efetiva. Agindo assim, faz-se com que a “pedra no meio do caminho” do poema de Drummond não seja a pedra de crack ou qualquer outro entrave que impossibilite a manutenção de uma sociedade saudável no Brasil.