Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 05/11/2020

Segundo a Organização Mundial da Saúde a dependência química é caracterizada como uma doença crônica que atinge indivíduos que fazem o uso contínuo de substâncias químicas denominadas de drogas lícitas ou ilícitas. De acordo com a Promulgada Constituição Brasileira de 1988, a saúde é um direito de todos e dever do Estado sem quaisquer distinções. No entanto, o direito sancionado segue apenas na teoria e não ultrapassa para a realidade uma vez que, nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos sobre os desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil em virtude tanto do silenciamento sobre essa questão, quanto da ineficácia do Estado de oferecer um tratamento intensivo e gratuito aos indivíduos.

Em primeiro plano, é preciso atentar que o silenciamento é um fator determinante na persistência desse impasse. De acordo com estudos psiquiátricos publicados na revista Science um dos primeiros desafios que o dependente químico encontra seria o próprio reconhecimento que está doente e precisa de ajuda. Desse modo, tal fator pode estar relacionado a inoperância eficaz dos canais midiáticos que, segundo o filósofo Pierre Bourdieu, falham em promover uma comunicação clara e objetiva em informar. Assim, intensificam-se as dificuldades que corroboram para a iniciação do tratamento de dependentes químicos.

Além disso, na série Grey’s Anatomy, a personagem principal em uma de suas falas ressalta que a saúde se transformou em uma commoditie vendida para quem pode pagar em vez de um serviço prestado ao público. Não obstante, a reflexão transpassa o cenário fictício e atinge, também, a realidade brasileira, visto que, o Estado falha em promover recursos terapêuticos que sejam oferecidos de forma gratuita e acessível. Por conta disso, os dependentes com menor poder aquisitivo acabam visualizando a possibilidade de tratamento como algo distante da realidade e desistem na busca de uma condição de vida melhor.

Entende-se, diante desse exposto, a necessidade de se tratar a dependência química como uma questão de saúde pública. A partir disso, compete ao poder Legislativo a dirigência de mais verbas ao Ministério da Saúde para que seja desenvolvido um plano de tratamento que vise desde a identificação até a resolução da doença. Em consonância, com o auxílio de médicos psiquiatras e terapeutas, será possível elaborar palestras que sejam webconferênciadas com o objetivo de atingir o maior público possível possibilitando, assim, o encaminhamento do dependente até a unidade de saúde mais próxima de seu endereço. Por fim, será cabível, a médio prazo, exercer maior assistencialismo e cumprimento da  Constituição sob oferecimento de saúde pública e de qualidade para todos sem distinção.