Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 16/11/2020

Muito se discute acerca dos desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil. A ineficácia do programa de “guerra as drogas” -fundamentado em medidas punitivas de combate ao tráfico- evidencia a necessidade de mudar a forma com que o Brasil lida com essa questão. Além disso, o tabu acerca das drogas e o esteriótipo socialmente construído sobre um usuário de drogas, faz com que certas pessoas dependentes de substâncias psicoativas não se vejam como tal e não procurem ajuda. Isso, infelizmente, gera consequências graves, mostrando a necessidade de soluções.

Em primeira plano, é preciso analisar como o modo do governo brasileiro lidar com a questão das drogas é extremamente não funcional. A lei anti-drogas é um exemplo da ineficiência do modelo punitivo e ostensivo de combate ao tráfico no Brasil, já que a falta de especificações acerca da quantidade que difere um traficante de um usuário possibilita a interpretação subjetiva do policial que faz a ocorrência. Dessa forma, ocorre um preocupante aumento no número de prediários, visto que esses presos pela lei anti-drogas, geralmente, são apenas usuários, e, ao entrarem em contato com facções dentro dos presídios, ficam suscetíveis a se juntar a essas gangues. Nesse sentido, o usuário encarcerado -que se encontra em abstinência química- se alia ao tráfico, problema que seria evitado caso o dependente químico tivesse sido internado para tratamento invés de imediatamente preso.

Sob outro prisma, é imprescindível ressaltar como a construção do esteriótipo do usuário de drogas dificulta o tratamento de dependentes químicos. No filme “Réquiem para um sonho”, uma mãe norteamericana é viciada em anfetaminas para emagrecer, prescristas pelo seu médico, e, por se tratar de um medicamento lícito, ela não percebe sua dependência em relação à droga. Fora da ficção, essa história é a realidade de milhares de pessoas visto que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, os antidepressivos e ansiolíticos ocupam, respectivamente, o segundo e terceiro lugar no ranking de medicamentos mais vendidos no Brasil. Nessa perspectiva, é evidente que os desafio para o tratamento dos dependentes de drogas lícitas, são ainda mais complicados, já que esses pensam que não precisam de buscar ajuda, o que, infelizmente, pode ocasionar uma morte por overdose.

Logo, para mudar esse cenário, é preciso que o Ministério da Saúde, em parceria com plataformas de streaming como a Netflix, promova campanhas educativas a fim de acabar com o esteriótipo social de usuário de drogas e incentivar todos que são dependentes de algumas substância química, seja ela ilícita ou lícita, a buscar tratamento. Além disso, é fundamental que o governo adote uma outra postura frente ao tráfico de drogas, promovendo, por meio de uma realocação de verbas, a reabilitação e ressocialização do usuário, e assim assegurar a dignidade dessas pessoas.