Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 11/11/2020
Em o “Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere aos desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil. Diante dessa perspectiva, configura-se um problema de contornos específicos em virtude da busca por prazeres instantâneos e pela insuficiência legislativa.
A princípio, a questão da procura por deleites imediatos atua como um complexo dificultador. De acordo com o Hedonismo, filosofia grega, o prazer é o bem supremo da vida humana. Nessa perspectiva, a busca por prazeres instantâneos é justificada como o sentido da vida moral. No entanto, nessa busca caracteriza-se como um agravador na questão dos impasses à terapêutica de toxicomaníacos brasileiros, pois propicia a dependência química, atuando fortemente em sua base. Assim, a falta de um planejamento racional e menos superficial, como apenas a criação de leis, impede que o problema seja resolvido, podendo, inclusive, trazer consequências que agravem a situação como os danos à saúde do indivíduo decorrentes da deficiência cognitiva e insuficiência na função motora.
Vale ressaltar, também, que os desafios para sanar os problemas da dependência química na sociedade brasileira evidencia a insuficiência legislativa. Desse modo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, em 2014 a média de gastos por pessoa foi de R$ 12,8 mil reais. Nesse sentido, Maquiavel defendeu que " Mesmo as leis bem ordenadas são impotentes diante dos costumes". A perspectiva do filósofo aponta para uma falha comum das sociedades: acreditar que a criação da lei em si pode resolver problemas complexos, como os obstáculos ao tratamento de adictos no país. Desta maneira, o que se verifica é uma insuficiência legislativa, se esta não vier atrelada a políticas públicas que ajam na base cultural do problema, dificultando sua resolução.
Logo, ficam claros os desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil. Dessarte, é necessário que o Ministério da Justiça e o Ministério da Saúde, juntos, realizem ações de fiscalização e de atendimento psicológico aos dependentes químicos. Enquanto este se daria em postos de saúde por meio de acompanhamento de um profissional especializado, aquele aconteceria por meio da aplicação de multas e punições, realizadas pela Polícia Federal, aos meios midiáticos que incentivem o consumo de drogas. Dessa maneira, espera-se a construção de um país livre do vício das drogas.