Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 14/11/2020
Na segunda fase do Romantismo, autores como Álvaro de Azevedo retratava em seus poemas a bebida como forma de fugir da realidade ou de esquecer os problemas. No entanto, pode-se notar que esse escapismo perpetua-se na atualidade, utilizando-se de formas mais potentes no uso de algumas drogas. Dessa forma, é necessário discutir os desafios para o combate à dependência química no Brasil, como a ineficácia das propagandas e o preconceito da sociedade em relação ao usuário de droga.
Em primeira análise, sabe-se que uma impotência em relação à mídia sobre os dependentes químicos é um grande empecilho para a sua destruição. Consoante o filósofo francês Michel Foucault, em seu estudo acerca das palavras proibidas, a sociedade atual tende a tornar tabu assuntos que causam desconforto. Sob essa óptica, a insuficiência do poder midiático, na propagação da discussão sobre o problema, dificulta o combate dessa problemática.
Outro ponto relevante, nessa temática, é o fato de o corpo social tratar a dependência química como fator moral e não como um fator patológico. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra ‘‘Cegueira Moral’’, os indivíduos, na pós-modernidade, perderam a capacidade de se sensibilizar frente à dor alheia. Em vista disso, a falta de empatia com pessoas que sofrem com a compulsão, acaba se tornando um grande entrave.
Fica evidente, portanto, que existem desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil. Nesse contexto, cabe à mídia, responsável pela promoção de informações, em parceria com o Ministério da Saúde, divulgar campanhas sobre o combate ao uso de drogas e sobre a importância do tratamento do dependente químico, por meio de propagandas em horários de grande audiência, a fim de desconstruir uma visão estereotipada sobre os utilizadores de drogas. Feito isso, a realidade dos brasileiros irá se distanciar daquela descrita por Álvares de Azevedo.