Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 15/11/2020

No seriado “Grey´s Anatomy”, o renomado cirurgião Richard Webber, sofre com problemas de dependência química ao longo da série. Em certo ponto, ele já havia perdido o posto de cirurgião chefe por voltar a consumir bebidas alcoólicas. Por conseguinte, começou o tratamento contra seus problemas com o álcool e ir a encontros de AA, depois da perda de sua esposa Adele. Contudo, tal prática não se restringe da realidade brasileira, haja vista que é necessário discutir os desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil, tendo em vista não só, a carência de vagas para reabilitação pelo SUS, como também, o desinteresse do dependente quanto ao tratamento.

Em primeiro plano, é evidente que o uso de narcóticos psicoativos acarreta na vida do indivíduo diversos problemas que comprometem sua saúde mental. Logo, a reabilitação torna-se uma importante ferramenta de reinserção social e reintegração psicológica. Entretanto, o sucateamento do Sistema Único de Saúde, também afeta a reabilitação dos dependentes químicos no Brasil. Segundo o Datasus, hospitais públicos voltados a essa população oferecem apenas 0,34% dos leitos que seriam necessários para o tratamento dessas pessoas. Sob esse viés, é notório a negligência estatal com o tratamento desses cidadãos brasileiros.

Ademais, Zygmunt Bauman afirma que “a individualidade atual é formada para atender às mudanças constantes da contemporaneidade”. Logo, os fatores que submetem o homem a angústias: financeiras, psicológicas, sociais e a falta de apoio familiar acabam levando-o a desinteresse quanto ao tratamento. Diante disso, a sociedade ainda mantém um preconceito com os usuários, considerando-os patológicos e preferindo isolá-los. Consequentemente, não há tanto a consciência individual como o incentivo coletivo para que haja a procura de tratamento, o que impõe limites à efetividade desse mecanismo.           Assim, medidas exequíveis são necessárias para mitigar os desafios do tratamento de dependentes químicos no Brasil. Portanto, cabe ao Governo Federal, por meio de programas assistenciais, destinar mais verbas para as clínicas de reabilitação, a fim de que haja a construção e a manutenção de centros de tratamento em todos os polos regionais do país. Também, torna-se viável que que instituições sociais, como a Igreja, por meio de palestras, e ONGs, por intermédio de publicidades em revistas, jornais ou televisão, conscientizem a população acerca da importância de incentivar os dependentes a procurarem tratamento, para que, desse modo, tais pessoas possam se reintegrar na sociedade.