Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 17/11/2020

A série “Euphoria”, exibida pela HBO, inicia sua trama com a chegada de Rue de um centro de reabilitação e emociona o expectador ao acompanhar a trajetória de tentativa de recuperação da garota, a qual passa por inúmeras recaídas. Fora das telas, o tratamento de dependentes químicos no Brasil ainda apresenta diversos desafios a serem solucionados, seja pela precariedade do sistema ou pelo tabu imposto a ele. Nesse contexto, é preciso compreender quais são esses desafios e as consequências que esses empecilhos trazem para a vida da população.

Em primeiro momento, faz-se necessário compreender os desafios enfrentados. Assim sendo, a falta de investimento estatal para promover a melhoria nos centros de reabilitação é fator primário da problemática, uma vez que a precariedade das instituições atuais desestimula a melhoria do paciente que não confia no processo. Além disso, consoante ao sociólogo Erving Goffman, muitos desses indivíduos considerados dependentes são estigmatizados pelo meio, sendo vistos com maus olhos pela sociedade. Assim, essa realidade faz com que se sintam reclusos perante à comunidade em que vivem e que procurem refúgio nas ruas ou favelas, como a Cracolândia. Logo, nota-se a necessidade de promover uma maior inserção desses usuários para que não se sintam à margem do progresso local.

Por conseguinte, segundo uma pesquisa feita pela universidade Unifesp, ao menos 28 milhões de brasileiros apresentam um familiar dependente químico. Dessa forma, além da suscetibilidade ao desenvolvimento de distúrbios mentais, essa grande parcela populacional expõe-se às doenças perigosas, tal como câncer e problemas cardiovasculares, pois o sistema imunológico desses cidadãos tende a ficar mais fragilizado com o uso constante de substâncias tóxicas. Ademais, consoante a Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados, em 2014, cerca de quatorze por cento dos usuários de drogas injetáveis eram vítimas da HIV e cinquenta por cento da hepatite C. Nesse cenário, essas pessoas, sem a intervenção adequada, estão sujeitas a viver uma vida precária.

Diante do exposto, é evidente que os desafios acerca do tratamento desses seres precisam ser superados. Portanto, cabe ao governo, por intermédio do Ministério da Saúde, mediante ao uso do Sistema Único de Saúde (SUS) - responsável pelo fornecimento da saúde pública no Brasil-, condicionar investimentos financeiros, por meio da criação de projetos de lei, os quais visem direcionar verba para melhoria dos centros de tratamento no país e para a contratação de mão de obra qualificada, com o fito de promover uma ajuda eficiente e humanizada com o propósito de integralizar os necessitados na sociedade posteriormente. Somente assim, poderá ser solucionado esse problema, promovendo uma condição de vida melhor, como ocorrido com a personagem Rue.