Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 24/11/2020
Sabe-se que a saúde é um dos princípios fundamentais do Estado Brasileiro, assegurado pela Constituição Federal de 1988. Porém, esse direito básico dos indivíduos é negligenciado quando se trata do tratamento de dependentes químicos. Isso porque observa-se uma ineficácia estatal no processo de reabilitação deles, bem como dificuldades enfrentadas pelos recém tratados em relação a sua reinserção social.
A princípio, vale ressaltar que os impasses observados no tratamento desses atores sociais são fomentados pelo papel negligente do governo quanto a isso. Ao contradizer a proposta da filosofia contratualista de que o Estado deve prover e garantir o bem-estar de seus indivíduos, esse órgão superior marginaliza os doentes ao não conceber a questão como problema de saúde pública. Nesse sentido, nota-se, dentro dos centros de reabilitação, a falta de recursos necessários para a melhora das vítimas.
Ademais, as circunstâncias sociais a que os recém tratados são submetidos dificultam o processo de superação deles. A exemplo disso, cita-se a série adolescente “Euphoria” de Sam Levinson, na qual a personagem principal Rue, ao retornar de um centro de reabilitação, é vista e tratada pelas pessoas de seu círculo social como, ainda, uma dependente química. Nesse sentido, a dificuldade da sociedade de compreender a remissão das vítimas de drogas seguida de atitudes preconceituosas, como isolamento social dessas, estimulam as recaídas dos pacientes ao seu único meio de conforto.
Faz-se necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para solucionar o impasse. O Ministério da Saúde deve redirecionar maior fluxo de verba aos centros de reabilitação de dependentes químicos, por meio do investimento em projetos que garantam a substituição dos hábitos destrutivos por outros que promovam o mesmo prazer pessoal, como as artes. Além disso, deve, também, providenciar campanhas e palestras que desfaçam os preceitos e atitudes hostis para com as vítimas. Espera-se, com isso, garantir um melhor tratamento tanto médico quanto social destinado a essas pessoas.