Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 13/05/2021

“O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem”. A frase dita por Arthur Schopenhawer, importante filósofo alemão, retrata os perigos de um dos maiores problemas do Brasil na atualidade: o crescente número de dependentes químicos. Tal adversidade se instensifica com os diversos impasses enfrentados diariamente no tratamento e reabilitação das vítimas. Isso ocorre como consequência da preocupante desigualdade social no país, além da insuficiência das políticas públicas vigentes.

Primeiramente, é válido recordar o pensamento marxista, que defendia que a história de todas as sociedades existentes se baseia na luta de classes. De maneira análoga, o desequilíbrio econômico e social existente na sociedade brasileira, evidentemente, propicia a entrada de jovens no mundo do crime e das drogas, na busca de recursos financeiros. Destarte, inúmeros cidadãos de famílias hipossuficientes que residem em comunidades em estado de vulnerabilidade socioenconômica são, cotidianamente, expostos aos riscos da dependência química.

Outrossim, a ineficácia das leis e políticas existentes contribui para a perpetuação do problema. Prova disso é o fato de que, segundo a Revista de audiências públicas do Senado Federal, o Brasil oferece menos de 0,35% dos leitos necessários para a recuperação dos dependentes químicos no país, descumprindo as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Diante disso, torna-se evidente a displicência dos governantes para a resolução do impasse, visto a gravidade do tema em questão e a urgência de ações resolutivas.

Infere-se, portanto, que o tratamento de dependentes químicos no Brasil é uma questão que deve ser reforçada. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social, desenvolver ações para solucionar o problema. Isso deve ser feito por meio de campanhas de incentivo às atividades pedagógicas escolares e programas de iniciação no mercado de trabalho, levando profissionais habilitados nas comunidades marginalizadas, além da disponibilização de verbas públicas para viabilizar a internação e recuperação de mais cidadãos. Tal operação, deve ter por finalidade combater a pobreza e desigualdade social e estimular a reabilitação dos vitimados. Dessa forma, será possível corrigir o grande erro humano, retratado por Schopenhawer.