Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Segundo o conceito de Fato Social, cunhado pelo sociólogo francês Emilé Durkheim, a sociedade exerce um poder coercitivo sobre os indivíduos, de modo a fazê-los a se comportarem de determinada maneira. Nesse sentido, quando um cidadão se afasta da conduta padrão, ele é posto à margem do convívio social, tornando-se um pária. Sob esse prisma, destacam-se os dependentes químicos, os quais são frequentemente vistos por grande parte da população como seres inferiores. Assim, percebe-se que a estigmatização desse grupo e a ineficiência governamental no combate à dependência são desafios para superar a referida conjuntura.

Em primeiro plano, é importante destacar o porquê a desqualificação do sujeito adicto perante a sociedade acontece. Consoante ao pensamento de Pierre Bourdieu, a Violência Simbólica refere-se ao mecanismo utilizado por grupos dominantes para perpetuar sua soberania frente aos dominados. Sob tal espectro, nota-se que a culpabilização dos indivíduos dependentes por parte da sociedade é uma maneira, dessa esfera, de reforçar sua suposta superioridade frente à outra. Diante desse cenário, vê-se que a estereotipização dos toxomaníacos, como pessoas desprovidas de força de vontade e culpadas pela própria condição de vida, é prejudicial à recuperação desses cidadãos.

Em segundo plano, é necessário apontar que as atuais políticas públicas voltadas ao tratamento dos dependentes toxicológicos são ineficientes. Para ilustrar, destaca-se a, infrutífera, expulsão de usuários de drogas da Cracolândia, em São Paulo, no ano de 2017. Esse episódio demonstrou que a coerção física não é o melhor forma de fazer com que essas pessoas busquem ajuda para se tratarem. Ademais, segundo a Organização Mundial da Sáude (OMS), o Brasil oferece apenas cerca de 0,5% do número de leitos necessários para o tratamento desses indivíduos, o que corrobora a afirmação de que as políticas de luta à dependência química estão longe do ideal. Logo, percebe-se que ações governamentais na recuperação de viciados ainda são precárias e tem pouco efeito prático.

Em síntese, observa-se que a desqualificação dos adictos, bem como a fragilidade das políticas públicas voltadas para esse grupo, são barreiras a serem superadas no combate à dependência toxicológica. Assim, com o fito de proporcionar tratamento adequado aos toximaníacos, é dever do Governo Federal, em parceira com os Ministério da Cidadania e da Saúde, criar um programa nacional contra o abuso de substâncias químicas. Tal ação poderá ser efetivada por meio da estruturação de centros de assistências à pessoa dependente, os quais devem contar com médicos, psicólogos e assistentes sociais, de modo a oferecer tratamentos personalizados e pelo tempo necessário. Dessa forma, promover-se-à cidadania plena para essas pessoas.