Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 13/01/2021

É fato que o crescente número de dependentes químicos configura uma problemática no atual cenário brasileiro. O século XXI, caracterizado por sua efemeridade e dinamicidade, tem propiciado aumento dos casos de transtornos e vícios como reflexo da desordem social e política, visto a incapacidade do homem em lidar com suas frustações.Desse modo,por meio da busca de fuga da realidade,o consumo de drogas é fomentado e deve ser visto como problema de ordem política e sanitária.

Em primeira análise,após a Lei de Drogas,aprovada em 2006,foi iniciada no país uma guerra de proporções alarmantes entre policias e traficantes, assim como estigmatização dos usuários.Em decorrência do novo regulamento, a população carcerária do país cresceu em ritmo avassalador, contando hoje com 740 mil pessoas para um total de 270 mil vagas.Na série espanhola,Vis a Vis,em que é apresentada a realidade de uma penitenciária feminina, é  comum que as mulheres sejam usadas como “porta” de entrada das drogas no local e o médico, mesmo ciente da quantidade de detentas que dependem de substâncias psicoativas e sofrem com os impactos da abstinência,não implementa medidas eficazes para o tratamamento dessas.Distante da ficção,a realidade brasileira também é de descaso e preconceito com os dependentes,o que torna o problema ainda mais grave.

Outrossim,uma cultura conservadora e moralista corrobora com os impasses no enfrentamento dos vícios.Visto como problema de saúde pública, a importância de estimulo e financiamento aos tratamentos não é bem veiculada em mídias sociais e não faz parte de debates na sociedade brasileira, o que é evidencia sua invisibilidade.Sendo assim, ao fugir das análises sobre legalização e não propor medidas efetivas no tratamento e reinserção dos usuários, os brasileiros estimulam o atraso em relação a outros países, como a exemplo de Portugal, no combate às drogas.Segundo o sociólogo francês, Émile Durkheim, ao viver em sociedade, o homem precisa além de consciência individual estimular uma consciência coletiva, ou seja, ser capaz de exercer a alteridade e pensar no todo. Logo, é necessário que a sociedade civil sinta-se responsável no combate às drogas como forma de atrair a atenção ao tema.

Portanto, diante do exposto, urge que o Ministério de Segurança Pública,na esfera do Departamento Penitenciário Nacional,não só controle a entrada de drogas nas cadeias como proponha regulamentações para o tratamento dos dependentes nos locais, por meio de terapias em grupo e assistência efetiva ao dependente,a fim de diminuir a circulação e o consumo dessas substâncias.Ademais, a mídia deve valorizar e informar sobre ONGS e instituições que tratam dos dependentes, a fim de arrecadar fundos e colaborações, além de propor reflexão e conscientização sobre o uso de drogas.