Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 12/04/2021

A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país prevê em seu artigo 6º, o direito a saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado cm ênfase na prática quando se observa os desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante disso, torna-se fundamental a discussão dos aspectos que favorecem a problemática, a fim de pleno funcionamento da sociedade.

Em primeira análise, a falta de infraestrutura mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. A filósofa alemã Hannah Arendt defende que o espaço público seja preservado para que se assegurem as condições da prática da liberdade e da manutenção da cidadania. Ou seja, sem uma infraestrutura pública, o cidadão é prejudicado. Esse aspecto está presente de maneira decisiva no que tange aos tratamentos de dependentes químicos, uma vez que grande parte dos viciados são de baixa renda e necessitam do Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, com resultados ineficientes, muitos dos dependentes químicos voltam para o consumo de drogas licitas, sendo tratado como algo comum e o consumo de drogas ilícitas como criminoso e não como uma doença.

Segundo uma pesquisa feita em 2017 pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento de São Paulo, o número de usuários na cracolândia aumentou em mais de 150% comparando ao ano passado. Partindo desse pressuposto, podemos afirmar que houve um consumo desenfreado e que em grandes partes dos casos são utilizados como válvula de escape por insatisfação a vida ou por influência de terceiros. Ainda que o vício seja um processo acelerado, o tratamento é um processo demorado e difícil para os usuários, visto que serão obrigados a ficar sem sua fonte de prazer e bem-estar. Com isso, pode-se analisar uma resistência ao tratamento.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Faz-se necessário, portanto, que os governos estaduais, em parceria com as prefeituras, passem a focalizar o investimento em saúde pública para questões urgentes, como os tratamentos para dependentes químicos. Havendo este maior direcionamento de verba, a infraestrutura do espaço público pode ser melhorada e, consequentemente, a qualidade de vida dos cidadãos, que passarão a usufruir mais intensamente do espaço público para realizar seus tratamentos em busca de uma vida melhor.