Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 01/05/2021
A Cracolância, localizada no centro da cidade de São Paulo, se formou em 1994, e atualmente ainda é um grande foco de dependentes químicos, segundo o G1, em 2019, 56 mil pessoas recebiam atendimento da região. Hodiernamente, há um grande número de dependentes, pelo fato deste , muitas vezes, ser tratado com descaso, tanto pela baixa possiblidade de conseguir um tratamento, tanto pela política adotada na abordagem do cidadão, na qual constantemente são tratados como criminosos.
De acordo com a pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), oito milhões de brasileiros são dependentes de maconha, álcool ouu cocaína. Há inúmeros fatores que explicam esse grande número, como a dificuldade no tratamento, tendo em vista os parâmetros da Organização Mundial da Saúde, presente no site do Senado, O Brasil oferece somente 0,34% dos leitos que seriam necessários para tratar a população. Sendo assim, o tratamento, na maior parte, acaba sendo feito por instituições privadas, que podem possuir falta de regulamentação e apoio do público, por falta de transparência.
Ademais, há um outro fator, a política adotada na abordagem dessas vítimas, no país, a lei para quem consome drogas não é clara, então parte dessas pessoas é tratada como um criminoso, ou seja, são presas. Nesse contexto, a criminalização acaba afastanto o dependente do sistema de saúde, por medo dos mal tratos e de serem presos, o que aumenta o estigma, marginalização e risco de morte por overdose, segundo a Viviane Porto, pesquisadora uruguaia e especialista no tema.
Dessa forma, o Governo deve aumentar o número de leitos, de acordo com os parâmetros da OMS, e mudar a política de abordagem policial, devido a necessidade de saber diferenciar um dependente químico de um traficante, assitenciando-o ao lugar correto. Deve-se também diminuir o estigma, mostrando a população número de vítimas e salientando que não são criminosos, e propagando a importância de buscar tratamento para si ou familiares, por meio de propagandas e anúncios em redes sociais.