Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 01/05/2021

A Constituição de 1988, prevê no artigo 5, o direito à vida, à liberdade e à dignidade da pessoa humana. Entretanto, no que diz respeito ao tratamento de dependentes químicos no Brasil, há desafios que são empecilhos no cumprimento deste. São esses, a falta de assistência aos ex usuários para se reestabelecerem na sociedade após superar o vício e as influências midiáticas que promovem uma romantização ao uso de drogas.

Primeiramente, a falta de assistência aos ex dependentes químicos para se reestabelecerem na sociedade após superarem o vício, é um desafio na eficácia do tratamento de usuários, visto que, ao saírem de uma clínica ou de uma prisão, essas pessoas encontram dificuldade para adentrar no mercado de trabalho e se reestabelecer. Isso, como explica Emerson, um ex traficante no documentário “Conversa de um ex traficante com a mãe de um dependente químico”, do canal Spotniks, no Youtube, faz com que acabem por retornar ao vício.

Em segunda análise, cabe ressaltar que há influências midiáticas que promovem uma romantização do vício. Tal fato evidencia o problema em destaque, as mídias tem o poder de contornarem ou piorarem a questão do tratamento de dependência química por meio de prevenção, atualmente tem piorado. Ainda que indiretamente. É o caso da série Elite, da Netflix, a qual apresenta de forma atrativa o uso de drogas entre jovens, que acaba por fazer com que a dependência química seja interpretada positivamente, de forma que gere curiosidade e traga o vício da ficção para a vida real.

Portanto, fica evidente que a falta de assistência aos ex usuários e as influências midiáticas são desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com as plataformas de “streaming”, gerar mais conhecimento acerca do assunto, por meio de documentários que apresentem histórias reais de pessoas que são ou foram dependentes químicos, a fim de potencializar as formas de tratamento, investindo em prevenção e novas oportunidades aos afetados. Assim, o artigo V da Constituição de 1988 será cumprido.