Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 09/06/2021
Cocaína, heroína, maconha, crack, tabaco e álcool. Essas são algumas das principais drogas ilícitas e lícitas utilizadas pelos indivíduos, as quais estão resultando em uma ascensão significativa dos casos de dependentes químicos no país. Tal circunstância é influenciada cotidianamente, uma vez que limitam-se os diálogos sobre o tema e faz-se uso de tratamentos agressivos com aqueles que consomem esses entorpecentes, permitindo a permanência desses no vício. Dessarte, mostra-se necessária uma análise da problemática.
Em primeiro lugar, é visível o tabu existente em discursos sobre os narcóticos. De acordo com o médico psicanalista Sigmund Freud, em seu livro “Totem e tabu”, há na sociedade temas que são idolatrados e democratizados-totens- e há, por outro lado, assuntos que são criminalizados e restritos dentro dos debates sociais-tabus. Nesse sentido, nota-se a questão das drogas como um empecilho censurado, vítima do conceito abordado por Freud, dado que é banida dos diálogos atuais, contribuindo para a exclusão informacional dos cidadãos. Sendo assim, vê-se que normalmente os entorpecentes são tidos, como “maus do século” ou “algo estritamente ruim”, no entanto, tais afirmações vêm repletas de lacunas, visto que não explicam os reais efeitos oriundos do consumo excessivo dessas substânicas, deixando as pessoas desinformadas e, portanto, expostas aos riscos desses fármacos.
Além disso, verifica-se a intervenção estatal coersitiva dada aos usuários de narcóticos. A exemplo disso, observa-se a Revolta da Vacina ocorrida em 1904, no Rio de Janeiro, em que brasileiros foram às ruas protestar contra a obrigatoriedade da vacinação em massa, a qual estava sendo feita de forma agressiva, violenta e sem adesão popular. De maneira análoga, no Brasil hodierno, percebe-se que os dependentes químicos também são vítimas de diversos tratamentos forçados, como a intervenção involuntária, sancionada pelo governo federal na lei 13840/19. Contudo, essas formas cruéis de acompanhamento geralmente demonstram serem equivocadas e ineficazes, apresentando pouca aceitação pelos usuários de drogas e afastando-os da superação dos seus vícios.
Desse modo, com o fito de desincentivar o uso de entorpecentes entre os brasileiros, espera-se que os Ministérios da Cidadania e da Saúde, juntamente com Organizações não governamentais relacionadas a essa causa, promovam campanhas que desconstruam o tabu das drogas. Isso deve ser feito por ex-usuários e médicos que elucidarão os malefícios e os sinais apresentados por dependentes químicos. Outrossim, o Ministério da Justiça deve reavaliar a promulgação da lei 13840/19, através de pesquisas científicas que abordem as melhores formas de tratamentos, baseados especificamente em um auxílio humanitário e respeitoso, visando a adesão e o bem-estar dos viciados.