Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 04/06/2021

Promulgada em 1988, a Constituição Federal garante a todos o direito à saúde. Infelizmente, no Brasil, essa não é uma realidade visto que o tratamento da dependência química não vem sendo concretizado. Isso ocorre devido a desafios, como a falta de verba destinada aos cuidados com os que já são dependentes e à falta de medidas para evitar que novos indivíduos alcancem esse estágio. Assim, por se tratar de um problema de ordem social, faz-se necessária uma solução.

É válido ressaltar, a princípio, que a Cracolândia, no centro de São Paulo, é uma das maiores dificuldades relacionada a drogas no país. Nesse lugar, de modo nefasto, o vício em crack destrói a vida de seus habitantes, que vivem em condições degradantes e, constantemente, sob o efeito dessa substância. Lamentavelmente, os esforços do governo e da polícia estão relacionados à repressão violenta desses indivíduos - sem resultados positivos -, ao invés de criar formas de dar assistência médica e psicológica para mudar a vida desses adictos e tirá-los desse cenário desumano. Dessa forma, é inegável que essas pessoas precisam de apoio para iniciar tratamentos que lhes garantam um futuro melhor e longe das drogas.

Além disso, é válido ressaltar que um dos maiores casos de explosão da dependência química no mundo foi o resultado da Crise de 1929, nos Estados Unidos, quando o desemprego, a inflação e as dívidas foram tão absurdos que o período ficou conhecido como “Grande Depressão”. A realidade era tão cruel que muitos recorreram às drogas como forma de escape, o que fez com que uma grande parcela dessas pessoas se tornasse viciada. De forma similar e desastrosa, o Brasil encontra-se em um longo período de crise econômica, com altos índices de desemprego. Desse modo, a falta de estabilidade e bem-estar dessas pessoas ocasiona o aumento do número de dependentes químicos no país, o que dificulta o controle e o tratamento desses indivíduos.

Portanto, é mister que o Estado haja no sentido de melhorar esses problema social de drogas no país. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde ampliar o acesso à reabilitação com amparo médico e psicológico. Isso deve ser feito por meio de maiores investimentos no tratamento e na captação de indivíduos que precisam desses cuidados - tanto para cuidar dos que já são viciados quanto para evitar novos casos -, a fim de dar assistência aos que precisam e garantir o direito à saúde que consta na CF.