Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 15/06/2021
De acordo com o Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos, realizado pela Universidade Federal de São Paulo, ao menos 28 milhões de pessoas no Brasil têm algum familiar que é dependente químico. Um número tão expressivo indica o quanto o país enfrenta desafios com relação ao tratamento de toxicomaníacos, como a dificuldade em se conduzir esse dependente ao processo de tratamento e a grande facilidade em se adquirir drogas no Brasil, o que leva a uma quantidade cada vez maior de pessoas em estado de vício.
A princípio, é preciso destacar que as dificuldades no tratamento de dependentes químicos no Brasil começa na inserção dessa pessoa em estado de vício nesse processo. Fatores como o preconceito enraizado no corpo social do país levam a uma intensa negação por parte desses indivíduos com relação ao seu problema, o que faz com que a pessoa inicie o tratamento apenas quando atinge níveis bastante críticos e prejudica amplamente o andamento do processo. Tal cenário é retratado na série “Onde Está Meu Coração”, onde a personagem Amanda, viciada em drogas, por uma série de circunstâncias, resiste arduamente ao tratamento devido e isso a leva a se afundar ainda mais na sua dependência, lidando com consequencias seríssimas. Essa obra ficcional esclarece a importância de se vencer essa resistência do paciente o mais rápido possível, evitando agravamentos.
Ainda é relevante abordar que a facilidade em se adquir drogas no Brasil dificulta amplamente o tratamentos de pessoas dependentes, pois, além de facilitar o uso pelo indivíduo que está sendo inserido na sociedade após se desvincular do vício, ainda faz com que existam uma quantidade cada vez maior de viciados e, consequentemente, uma sobrecarga nas instituições. Um fato que evidencia essa facilidade são as políticas canadenses que tratam do consumo e venda do álcool. No país, são poucos os estabelecimentos que vendem bebidas alcóolicas e, de maneira alguma, se tem acesso a esses produtos em lojas de conveniência ou mercados, como é comum no Brasil. Tais medidas fazem com que essa substância esteja menos inserida no corpo social do país, o que não só evita a ocorrência de casos, como leva o dependente em tratamento a estar em um ambiente favorável a sua recuperação.
Por fim, é possivel perceber que o Brasil ainda tem muito a superar com relação ao tratamento de dependentes químicos. Uma maneira de iniciar as mudanças necessárias é a inserção, pelo Ministério da Saúde, de psicólogos responsáveis por preparar o paciente psicologicamente para o tratamento em Centros de Atenção Psicossosial (CAPS). Tal processo visaria levar o paciente, de maneira positiva, ao reconhecimento de suas dificuldades e da necessidade de passar pelo tratamento, para que assim, esse indivíduo não resista ao processo, mas sim coopere com ele.